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30 novembro, 2005

A namorada que sonhei


Essa é das antigas. Uma música meio brega do passado que, não sei por qual motivo, lembrei essa semana. Só pra ter uma idéia, ela já foi gravada por Sidney Magal, Nelson Ned, Amado Batista, etc... Mas é legalzinha, rsrsrs, olhem a letra!

A namorada que sonhei

Receba as flores que lhe dou,
e em cada flor um beijo meu,
são flores lindas que lhe dou,
rosas vermelhas com amor,
amor que por você nasceu.

E seja assim por toda vida,
e a Deus mais nada pedirei.
Querida mil vezes querida
deusa na terra nascida
a namorada que sonhei.

E no dia consagrado aos namorados,
sairemos abraçados
por aí a passear.
um dia no futuro,
entao casados
quase eternos namorados
flores lindas eu ainda vou lhe dar.

Que seja assim por toda vida...

29 novembro, 2005

Romance da moreninha

Para os blogueiros uma música que acabei de ouvir e gostei bastante. Cantada por Alceu Valença, chama-se "Romance da moreninha". É bem bonita, quem tiver condições, BAIXE! (pra campanha! rsrs).

Romance da Moreninha

Composição: Emmanoel Cavalcanti - Alceu Valença

Moreninha
Do cabelo cacheado
Aonde eu for
Levo você a meu lado,
Moreninha
No meu translado
Tem a palavra de amor
Aonde eu for
Levo você a meu lado,
Moreninha

Inda me lembro
Do dia que te achei
Eu encontrei
A nossa felicidade,
Moreninha
O que eu tinha
Era saudade e paixão
A moreninha
Alegrou meu coração

Há tanta pedra
Em meu caminho,
Moreninha
Há tantos mistérios
No mar

Há tanta pedra
Em meu caminho,
Moreninha
Há tantos mistérios
No mar

Um certo dia
Moreninha foi embora
Não marcou hora
Nem sequer me avisou
Aonde ia
Na noite fria
Ouvi o ronco do vapor
Eu te perdia
Quando o navio apitou

Eu te perdia
Quando o navio apitou

Link:

27 novembro, 2005

Nova campanha!


E aí pessoal, gostei dessa campanha e resolvi colocar aqui. Mas olha só, um comentário crítico que faria é o de que isso é um tipo de ação contra as gravadoras, que exploram os artistas com as baixas remunerações e exploram os consumidores com os altos preços. Discos independentes não podem entrar nessa jogada...

CONTRA BURGUÊS, BAIXE MP3!

Um abraço!

Bloco do eu sozinho


Olhando o site dos Los Hermanos acabei, sem querer, clicando num link para o release do segundo CD deles, o "Bloco do eu sozinho" (nome que eu sempre adorei). Esse disco é de 2001, saiu depois do mega-sucesso Anna Júlia (aquela música que já tocava mais que hit de axé ou pagode). Interessante que esse CD representou um primeiro giro no estilo da banda. Mudanças que viriam se consolidar no "Ventura". Ficou mais samba, mais "fim de carnaval", como eles mesmos disseram.

É um belo disco!

Quando li o release, achei interessante a forma como eles destacaram suas mudanças, o que ocorreu, a certa negação do pop marketing de Anna Julia. E poderia dizer que foi uma sábia escolha. Hoje é a banda que, disparado, eu mais gosto no Brasil.

Não vou deixá-los na curiosidade, esse post foi para compartilhar com vocês esse texto. E para mostrar àqueles que ainda vêem os Los Hermanos como uma banda "Anna Júlia" que faz tempo que eles mudaram, e muito...

(Queria deixar registrado que gosto bastante da música "Anna Júlia", bem como de todo o primeiro CD. O que não me agradaria seria se eles continuassem com um mesmo estilo, fazendo musiquinhas comerciais só para vender milhões de discos. Acho que hoje eles têm um público muito mais fiel do que teriam se tentassem simplesmente se vender (e devem estar ganhando muito dinheiro também!). É uma prova de que existe a possibilidade de viver fazendo o que se gosta, desde que o faça bem!)

Segue aí:

"Los Hermanos continuam o Baile de Carnaval. A charanga ainda ecoa sobre o batuque secular do samba se espremendo entre marchas-rancho, chá-chá-chás e boleros para chegar à massa. Mas a celebração da alta noite aos poucos vai cedendo ao cansaço físico e a festa vai esmorecendo. Não estamos mais no meio de 250 mil compradores de disco berrando o refrão "Ô Anna Júliaaaaa" no meio de uma seqüência acelerada de neo-boleros pós-pagode que transformarama tradicional festa brasileira numa máquina registradora trabalhando emritmo industrial. O porre vai virando ressaca, a boca vai ressecando, acabou-se o que era doce. Mas, como a banda das quatro noites, o grupo carioca segue tocando. Masreduzem a marcha, literalmente. O frenesi frevo/axé/baião da eletricidade rock fica em segundo plano. É acessório, cosmético. Não adianta forçar o público para pular - olhe para eles, derrubados uns por cima dos outros.

Estamos entrando na quarta e última fase de qualquer boa noite de carnaval,aquela enunciada pelas emblemáticas Bandeira Branca e Máscara Negra. O trombone assume uma função tão importante quanto a guitarra no primeiro disco e o tom azul-madrugada do instrumento toma conta do segundo disco do Los Hermanos.

Bloco do Eu Sozinho canta o fim do baile, o nascer do dia, as pessoas acordando ainda meio bêbadas, entre fantasias rasgadas, garrafas derrubadas pelo chão, confete e serpentina desbotados pela mistura indecifrável de líquidos espalhados pelo chão. Canta para os vários solitários que atravessaram a noite inteira entre flertes e sorrisos e acabaram sem par como vieram. Mas agora eles estão amarrotados, suados, usados, borrados. O final de um baile de carnaval sempre vem mostrar para cada um de nós quem realmente somos. A fantasia cai tão pesada quanto a realidade que, indefectivelmente, é triste.

O grupo sente isso, sempre sentiu. Mesmo nos momentos mais eufóricos de seu primeiro disco, a felicidade vinha apenas como um raio de sol no horizonte.

Contemplativo e cético, o vocalista e guitarrista Marcelo Camelo caía na triste constatação dos poetas românticos, de que a melancolia é o estado natural do ser humano. Pintava-se de palhaço para fazer os outros rirem, enquanto, por dentro, estava chorando. Assim o conjunto se sentia em meio ao turbilhão Anna Júlia, o hit jovem guarda que catapultou o grupo de suas raízes underground ao panteão de plástico do mercadão pop. Enquanto todos cantavam sorrindo a plenos pulmões, o grupo se sentia preso à uma música que não representava o todo de seu trabalho, numa encruzilhada clássica na história da música popular: ser ídolos de multidões ou queridos de poucos. Entre um caminho e outro, o grupo preferiu trilhar seu próprio rumo, abrindo a terceira via à foice. Para isso, se reuniram em um sítio no interior do Rio de Janeiro, onde começaram a calibrar o que se tornaria o disco que está saindo. A saída do baixista Patrick Laplan foi suprimida pela participação especial do amigo Kassin (do Acabou La Tequila, influência confessa do grupo) e a produção ficou por conta do cobra Chico Neves. Curtindo o disco como pinga de alambique, retrocederam a um tempo em que a bossa nova não havia transformado o samba em ritmo pré-programado de teclado. E voltaram para o ano 2001 como uma banda de samba. Como se o rótulo "MPB" não existisse, como se fazer samba fosse tão natural a qualquer brasileiro, independente de sua faixa etária, classe social ou formação acadêmica. É um exercício de recriação da genealogia do rock brasileiro: Noel Rosa é o nosso Robert Johnson, Chico Buarque nosso Bob Dylan, Cartola nosso Muddy Waters, Beth Carvalho uma Aretha Franklin, Jair Rodrigues um James Brown e por aí vai?

Sim, Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante (voz e guitarra), Bruno Medina (teclados) e Rodrigo Barba (bateria) formam uma banda de samba, apesar de virem da classe média, do curso superior, da pele branca e da formação baixo-teclado-guitarra-e-bateria. Em seu segundo álbum, eles mergulham ainda mais fundo no fundo de quintal, temperando o sambão com doses de hardcore,rock alternativo, levadas latinas, um microponto de psicodelia beatle e compassos mutantes. Deixam de lado o astral Red Hot Chili Peppers/Mr. Bungle que o primeiro disco transparecia e se devotam à melodia, cantando o fim da festa incessante que eles mesmos eram até então.

Mas se o tom do disco remete à quarta-feira de cinzas, ele também vê o nascer do novo século como um fim de carnaval. Mas em vez de correr atrás de recursos tecnológicos e futurísticos para falar sobre a aurora do novo tempo, eles voltam ao começo do século 20, usando elementos das primeiras décadas dos anos 1900 como fantasia. Há referências de modernismo, vaudeville, citações em francês, bailes de máscaras, maxixe, atenção aos detalhes, literatura, eles colocam o Bloco do Eu Sozinho na rua em busca da mesma ingenuidade frívola dos primeiros anos do século passado. Procuram,assim, fugir da ironia que tentou, de todo jeito, encaixar o grupo em rótulos esdrúxulos e diferentes comportamentos.

O excesso de referências musicais deixou de ser um simples problema de arranjos. Quase todas as faixas do disco atravessam várias fases, a estrutura das canções (mais complexas que as do primeiro disco, hoje vistas pela banda como "um rascunho") alcança diferentes pontos de vista, sem dificuldade ou forçar a barra. Como o Clash fez no clássico London Calling, eles contam a sua versão da história transformando tudo em samba(enquanto o grupo inglês pulverizava tudo em punk) ­ a citação (incidental?)que o trombone faz no primeiro som ouvido no disco remete imediatamente à introdução instrumental da faixa-título do disco de 1979. Seja qual for o território musical, a linguagem melancólica e o batuque do samba estão ali, onipresentes. Não é à toa que a editora de músicas do grupo seja chamada Zé Pereira.

Mas por baixo das letras tristes e contemplativas, os Hermanos aproveitam para espetar quem os incomoda. Os "vocês" espalhados pelo belíssimo encarte podem se referir ao fã, à crítica, ao mercado, a certas publicações (há citações ainda mais explícitas, embora maquiadas como letra de música), ao público que comprou o grupo só por causa de Anna Júlia, ao seguidor fiel dos tempos do underground carioca. A letra de Cadê teu Suin-?, uma brincadeira com sílabas, contém desde a rixa não declarada entre Tom Zé e Caetano Veloso, cobranças de diretores artísticos, desculpas esfarrapadas, críticas à dita "nova MPB", o peso do refrão exigido? O grupo passa adiante ­ "Eu que controlo o meu guidon" ­ sem dar ouvidos a quem ladra. O disco termina convicto de que eles fizeram o melhor que podiam ao não repetir o primeiro álbum. "Quero não saber de cor, também", canta Camelo entre as cordas e um surdo de escola de samba, "pra que minha vida siga adiante".

Alexandre Matias Julho/2001"

Um abraço a todos!

19 novembro, 2005

Os óim do meu amor

Não tenho postado muito, estou completamente atribulado com minha dissertação. Mas como algumas pessoas me disseram que não apenas liam o que eu aqui escrevia, como também acompanhavam periodicamente, resolvi deixar alguma coisa.

Outro dia lembrava de algumas músicas regionais. E como não lembrar daquela banda "duma cidade chamada Arcoverde", o Cordel do Fogo Encantado? União de música, teatro poesia... Lindo! Para os mais desavisados a MTV acabou de lançar um DVD deles ao vivo. Pelo pouco que pude ver ficou muito bom, vale a pena.

Mas, no meu diário musical, a música que ficou gravada foi "Os óim do meu amor". Acho uma maravilha pela simplicidade. Ela é mais ou menos assim:

Eu nunca mais eu vi
Os oím do meu amor
Nunca mais eu vi
Os oím dela brilhar
Nunca mais eu vi
Os oím do meu amor
São dois jarrinho de flor
E todo mundo quer cheirar

Claro que vou deixá-la disponível aqui:



Outra coisa me perturbou um pouco essa semana. Estive pensando... Normalmente a partícula "re", no prefixo de uma palavra significa uma repetição da ação contida no seu sufixo. Por exemplo: pensar e repensar, fazer e refazer, tomar e retomar. Em um caso, no entanto, essa "repetição da ação" destrói a idéia original. Sentir e ressentir. Quando é que o sentimento se torna ressentimento? Até procurei no dicionário etimológico para ver se esse prefixo "re" teria, nesse caso, uma função diferente, mas não fui bem sucedido.

Então, por que sentir de novo é diferente de ressentir? Quando essa linha é cruzada? Não seria melhor que resentimento fosse quando a gente sentisse demais, sentisse novamente? Imagine o que seria um amor ressentido? "Hoje ressenti o amor que outrora tive". Muito mais bonito que nossa idéia corrente. "Ontem tive um amor e hoje é só ressentimento".

Por que não mudamos isso? Tente hoje ressentir algo que se transformou em ressentimento. Re-sinta sua felicidade, re-sinta as coisas boas, e re-sinta seu amor. Talvez possamos ser um pouco mais felizes, não?

Depois de devaneios loucos deixo mais uma do Cordel que eu achei na internet. Essa não existe em CD algum, e, pelo que vi, também não foi para o DVD. É uma poesia de cordel chamada "Jesus preso". É muito boa, confira aí!


Um abraço a todos!
Até a vista!

09 novembro, 2005

O mundo é um moinho


Salve Cartola!

Hoje consegui algumas músicas desse compositor que consegue deixar qualquer um de queixo caído e cabelo em pé. Uma, no entanto, há muito eu não ouvia e gostei de ouvir na voz dele. "O mundo é um moinho". Olhem só a letra:


O mundo é um moinho
- Cartola -

Ainda é cedo amor,
mal começaste a conhecer a vida,
já anuncias a hora da partida,
sem saber mesmo o rumo que irás tomar.

Preste atenção querida,
embora eu saiba que estás resolvida,
em cada esquina cai um pouco a tua vida,
em pouco tempo não serás mais o que és.

Ouça-me bem amor,
preste atenção, o mundo é um moinho,
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,
vai reduzir as ilusões à pó.

Muita atenção querida,
de cada amor tu herdarás só o cinismo,
quando notares estais a beira do abismo,
abismo que cavastes com teus pés.


São letras pesadas, claro. Mas cheias de sentimento!
Sendo bonzinho de novo, para permitir que vocês ouçam esse clássico, vou deixar o link de download:


Instruções:
1) Clique no link
2) Desça até o fim da página
3) Clique em "free"
4) Outra página se abrirá, também desça até o final
5) O nome do arquivo estará em negrito. Se você reparar um pouco depois haverá uma espécie de contagem regressiva (costuma demorar uns 40 segs), assim que ela terminar o link estará liberado e você pode baixar a música sem problemas. Não demorará muito porque os arquivos são relativamente pequenos.


Saudações!

04 novembro, 2005

Extra, extra: mais uma coincidência de VEJA


Eu me impressiono semanalmente, já disse. A VEJA é o melhor passatempo que eu consegui nos últimos meses. A última: Não sei se vocês repararam naquela "importante investigação" que a VEJA fez para descobrir que a saga comunista não acabou e que Fidel, inspirado em Lênin e Trótsky, queria financiar a revolução mundial enviando dólares (?) para a campanha de Lula. Pois bem, vejam como nada é por acaso. O dinheiro estava escondido em caixas de uísque e rum, segundo o que foi dito. Lembram do nome do aeroporto em Campinas onde a transação foi efetuada? VIRACOPOS. Isso mesmo, caixas de bebidas em Viracopos!

Agora eu me pergunto o que será que podem ter dito aos "investigadores de Veja". Na reportagem eles mesmos disseram que Vladimir Poleto teria pedido para que a revista não fizesse uso do conteúdo da entrevista porque ele teria caído em "exacerbamento de posições" depois de ter ingerido "diversos copos de chope".

A conversa:

"- Seu repórter [glup], o negócio é o seguinte o Cuba (se referindo ao amigo cubano que estava no Brasil) mandou pra gente três caixas de bebida. Dois 'jonninhos', um red e um black, [glup] e mais uma caixa de Havana Club. Êta rum bão! hehe. Entendeu, seu repórter? Rum-bão? hehe.

- Mas Poleto, o que havia nessas caixas?

- Pelo preço?? Devia estar cheio de dólar! Nunca vi um troçim tão caro! Devia custar uns três milhão!! [glup] Tá achando o quê? Esse negócio de campanha não é barato não!! Você acha que a gente vai comemorar com pouca coisa? hehe. A sorte é que o Fidel é amigo do Lula e financiou essa "campanha", entendeu? "Campanha"? hehe.

[pausa, o repórter quieto]

- Odeio gente sóbria [glup] nem têm senso de humor. Vou embora!

Meses depois, a capa de Veja: "Os dólares de Cuba para a campanha de Lula".

- Repórter filha-da-puta! Eu que bebo e ele que fala merda! - Pensou Vladimir."


Rum, Viracopos... Entendeu? Entendeu?

Vamos ver qual vai ser a da semana que vem!

01 novembro, 2005

7: o número cabalístico de Veja



Já deixo claro: sou daqueles que têm a opinião de que se você leu na Veja, o azar é todo seu! Não me venha com argumento de autoridade porque, para mim, esse tablóide disfarçado não tem autoridade nenhuma. Na verdade, para ser sincero, ele tem autoridade às avessas, se está escrito lá é porque a verdade é o oposto!

Agora que estou de volta morando com minha família (e minha irmã insiste em assinar esse gibi!), por vezes eu tenho o desprazer de me deparar com um exemplar. Dessa vez algo me chamou a atenção: o número cabalístico de Veja.

Não sei se eles jogaram nos búzios, leram nas cartas, ou fizeram algum tipo de análise numerológica, mas uma verdade tem que ser dita: eles encontraram o número da segurança pública, o 7.

Primeiro foram 7 razões para dizer não ao referendo. Eu já fiquei impressionado! A Veja saiu de sua pseudo-dita-imparcialidade para assumir uma posição. Mas era óbvio que isso não iria provocar maiores discussões entre seus leitores. Afinal, seu público alvo era o mais passível de ser manipulado pela campanha do NÃO. Eles devem ter achado tão óbvio que essa era a "resposta correta" que nem se deram conta que uma revista que se diz neutra não poderia assumir posições.

Tem horas que a sabedoria popular realmente me surpreende. Dizem que 7 é o número do mentiroso e nesse caso, se é, a Veja quis mostrar a que veio. Na semana passada outra capa "7 soluções TESTADAS e APROVADAS contra o crime" (grifo nosso). Claro! Se eles já disseram que esse negócio de proibição do comércio de armas e munição não daria em nada, que isso não resolveria o problema da segurança pública, então eles em sua enorme bondade e sabedoria tinham que nos dar as soluções para isso. E elas viriam em número de 7!

Eu grifei o TESTADAS e APROVADAS porque não havia me dado conta disso até escrever aqui o título da capa. Testadas por quem? Aprovadas por quem? (E isso porque eu nem cheguei a dizer que soluções eram essas...). Confesso que só de olhar a capa e brincar com o número cabalístico já era suficiente para mim. Eu estava com medo de abrir a revista de ver as "tais" soluções, mas como eu resolvi escrever sobre isso decidi dar uma olhada.

A primeira: Meio senso comum. "Dar opções de lazer e profissão aos jovens pobres". De tão senso comum eu já teria lá minhas dúvidas. Claro que serei um pouco forçado no que vou falar, mas serve de "advocacia do diabo". Será que o problema é só falta de lazer e trabalho? Será que um adolescente que vê todas as propagandas diretas e indiretas de todos os produtos modernos e caros e também sente desejo de consumi-los, tendo a possibilidade de ganhar bastante dinheiro com a criminalidade, se contentará em ganhar 300 reais para trabalhar 8 ou mais horas do seu dia? Será que só isso é uma solução "testada" e "aprovada". Mas, como disse, forçei um pouco. Passemos para a próxima.

A segunda: "Prender o crimonoso e deixá-lo preso". Para isso eu invoco a frase de Raduan Nassar e digo que na minha descrença te devolvo a existência só para dizer "DEUS QUE ME DEFENDA!". Acho que eu nem preciso continuar com as outras cinco porque, como disse, a Veja mostrou a que veio. É um pouco de conservadorismo demais achar que a solução para todos os problemas é deixar os "bandidos" (conceito resgatado pela campanha do NÃO para representar todo o mal, os malfeitores, o "dark side", mas que não trata da história de vida da PESSOA que comete algum crime, a sua motivação, o que está por detrás, etc) trancafiados por toda a vida para reduzir a criminalidade. A Veja chega a dar a entender que trinta anos na cadeia é pouco. É pouco imaginar que uma pessoa de 20 anos sairá de lá com 50 e que nada fará diferença. Confesso que hoje estou meio preguiçoso para argumentar, mas de tudo que vi e ouvi sobre as penas, a única certeza que há é que tudo, menos a reclusão, funciona para reduzir a reincidência. Mas será que essa não é só mais uma mensagem subliminar para os novos e desejados referendos? A favor da prisão perpétua, etc... Vamos ver o que o futuro nos reserva...

Se eles tivessem colocado essa grande idéia por último, eu juro que teria lido as outras com mais paciência, mas é a jogada deles: quem não gosta da revista para de ler logo e não tem muita voz para falar, e para os "intelectuais de Veja", a ilustrada classe média do Brasil, isso ainda serve de motivo para continuar lendo.

As outras testadas e aprovadas soluções são argumentos mais fajutos impossíveis. "Aumentar a eficiência da justiça", "Combater o consumo de drogas", "Acabar com a corrupção policial". Ora, acho que até meus cachorros sabem disso, agora, como fazê-lo? Que soluções você tem? Como aumentar a eficiência da justiça, como acabar com a corrupção? Talvez com a permissão do comércio de armas e munições... Imagino um dia chegando no Tribunal, colocando o "tresoitão" na cara do juiz e dizendo "Ô seu velhote, se não for eficiente eu te mato!!!"

São as soluções "Veja" para a segurança pública...

Vamos ver mais o que teremos em número de 7...