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19 outubro, 2005

Pode(m) se preparar porque eu tô voltando!



Acho que no último post não ficou muito claro, mas agora...

Pode(m) se preparar porque eu tô voltando (e não tarda muito)!

Tô voltando...


Acho que essa música agora é oportuna. Vamos lá, composicão de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós. Ainda estou querendo descobrir os artistas que a gravaram. Até agora só descobri o Grupo Molejo e a Simone (e desses dois, deus que me defenda!!), e o pior: acho que só eles gravaram mesmo. Por isso, inclusive, não deixo aqui o link. Vou procurar mais, se não achar me rendo à Simone mesmo porque a música é boa!


Tô voltando

Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto
Eu to voltando...
Põe meia dúzia de brahma pra gelar, muda a roupa de cama
Eu to voltando...
Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
Porque eu to voltando!
Dá uma geral, faz um bom defumador, enche a casa de flor
Que eu to voltando...
Pega uma praia, aproveita, ta calor, vai pegando uma cor
Que eu to voltando...
Faz um cabelo bonito pra eu notar que eu só quero mesmo é
Despentear
Quero te agarrar, pode se preparar porque eu to voltando
Põe pra tocar na vitrola aquele som, estréia uma camisola
Eu to voltando...
Dá folga pra empregada, manda a criançada pra casa da avó
Que eu to voltando...
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero lá lá lá ia, lá iá lá lá iá la ia,
Porque eu to voltando!!!!

11 outubro, 2005

Nelson Cavaquinho


Agradecendo a contribuição do Hilton, da comunidade "Samba de raiz" no orkut, disponibilizo aqui um vinil inteiro do Nelson Cavaquinho, vale a pena conferir. Os links são do RapidShare e do MyTempDir, e as instruções de como baixar estão dois ou três posts atrás, só conferir. Vai o disco:

A flor e o espinho

Caminhando

Juízo final

Eu e as flores

Luz Negra

Degraus da vida

Rugas

Quando eu me chamar saudade

Capa frontal do vinil
Façam bom proveito!
Até o próximo post!

10 outubro, 2005

Mais uma do mestre


O uísque é o cão engarrafado. Definitivamente, o melhor amigo do homem.
Vinícius de Moraes

07 outubro, 2005

Os Demônios

Deleitem-se com Dostoiévski.

"(...)
- Haverá toda liberdade quando for indiferente viver ou não viver. Eis o objetivo de tudo.
- Objetivo? Neste caso é possível que ninguém queira viver?
- Ninguém - pronunciou de modo categórico.
- O homem teme a morte porque ama a vida, eis o meu entendimento - observei -, e assim a natureza ordenou.
- Isso é vil e aí está todo o engano! - os olhos dele brilharam. - A vida é dor, a vida é medo, e o homem é um infeliz. Hoje tudo é dor e medo. Hoje o homem ama a vida porque ama a dor e o medo. E foi assim que fizeram. Agora a vida se apresenta como dor e medo, e nisso está todo o engano. Hoje o homem não é ainda aquele homem. Haverá um novo homem, feliz e altivo. Aquele para quem for indierente viver ou não viver será o novo homem. Quem vencer a dor e medo, esse mesmo será Deus. E o outro Deus não exisitirá.
- Então, a seu ver o outro Deus existe mesmo?
- Não existe, mas ele existe. Na pedra não existe dor, mas no medo da pedra existe dor. Deus é a dor do medo da morte. Quem vencer a dor e o medo se tornará Deus. Então haverá uma nova vida, então haverá um novo homem, tudo novo... Então a história será dividida em duas partes: do gorila à destruição de Deus e da destruição de Deus...
(...)
- (...) Aquele que se matar apenas para matar o medo imediatamente se tornará Deus."

06 outubro, 2005

De boteco em boteco



Ontem eu postei aqui dizendo que havia descoberto a cara desse blog: talvez um "diário musical". Dei minhas razões para concordar ou não com isso. Pois bem, hoje descobri uma ferramenta interessante para me ajudar nesse intento (ou talvez nesse acidente), o RapidShare. Esse é um site que aceita uploads de arquivos e depois te dá um link que te permite compartilhá-lo com quem você queira.

Descoberta essa ferramenta, a partir de hoje, sempre que eu quiser falar de uma música, se eu a tiver em formato digital, também a disponibilizarei aqui. É uma forma de passar, de verdade, o meu sentimento com relação a ela. E prestem atenção porque eu começarei a disponibilizar, aos poucos, as músicas já citadas (eu atualizarei os posts antigos).

A música de hoje é uma das minhas (re)descobertas no terreno do samba antigo. Ontem conversava com a Laila e acabei confundindo Nelson Cavaquinho com Nelson Sargento. Por acaso, achei hoje uma música do segundo que é muito minha cara (e também do meu grande amigo Erasto Neto). "De boteco em boteco". Olha aí, vai ouvindo:

De boteco em boteco (Nelson Sargento)

Vou de boteco em boteco
Bebendo a valer
Na ânsia de esconder as dores do meu coração

Conselhos não adiantam estou no final
Perdi o elã (?) e perdi a moral
Meu caso não tem solução

Eu bebo demais pro meu tamanho
Arranjo brigas e sempre apanho
E isto me faz infeliz

Entro no boteco para afogar a alma
As garrafas então batem palmas
Me embriago, elas pedem bis

Vale citar aqui a frase que estva no site onde eu peguei essa letra. "Quando o boêmio mais velho fala, o mais novo aquieta o bico. E assim nasce o respeito". Muito boa!

Por falar em boêmio, lembrei da Bohemia Weiss que está nessa foto. Agradecendo a companhia do caro colega Samuel que nesse dia me acompanhou de "boteco em boteco bebendo a valer", mas que tava escondendo as dores do coração era eu mesmo! Êta dia bão foi esse!

Agora o link prometido, né!

http://rapidshare.de/files/5486525/Nelson_Sargento_-_De_Boteco_em_Boteco.mp3.html

Instruções:
1) Clique no link
2) Desça até o fim da página
3) Clique em "free"
4) Outra página se abrirá, também desça até o final
5) O nome do arquivo estará em negrito. Se você reparar um pouco depois haverá uma espécie de contagem regressiva (costuma demorar uns 40 segs), assim que ela terminar o link estará liberado e você pode baixar a música sem problemas. Não demorará muito porque os arquivos são relativamente pequenos.

Um abraço!

05 outubro, 2005

A luz negra de um destino cruel

Hoje eu acabei percebendo a cara que esse blog tem tomado. É um diário musical. Mas isso, no meu caso, era quase óbvio. Primeiro porque a música é uma parte integrante de mim, do que sou, e também porque a música diz muito do que sentimos. Ou você acha que "aquela música" faz sentido num dia e não faz no outro por acaso? A música está dentro de nós e coloca pra fora o que queremos esconder. É lindo quando ouvimos uma música e, de repente, ela faz um sentido que nunca havia feito, bate lá dentro, e você se pega batucando com o que pode e dá aquele pequeno sorriso de canto de boca (ou aquele suspiro profundo...).

Outro dia eu me peguei assim ouvindo uma música conhecida como "breganejo". E essa, não tenha dúvidas, era brega mesmo, não tava no limbo não. Mas fazer o quê? Se o amor (e ainda mais a dor de cotovelo) é brega, nada melhor que uma música, brega!

Voltando ao que eu dizia, percebi que muitos dos posts que aqui coloquei continham músicas, quando não eram SOMENTE músicas. Num primeiro momento não gostei disso. Queria textos! Pensamentos! Mas depois me convenci que a música fazia parte disso também. Nada melhor do qeu compartilhar com os outros uma música que você gostou, uma música que significou algo pra você naquele dia. E também, como disse alguns posts atrás, se esse é meu relicário escondido, é bom também, dias depois, ver como você estava naquele dia e se dar conta de que está tudo diferente.

Ultimamente, eu passo por uma fase "samba". Eu gosto demais, e tenho dado um jeito de ouvir os clássicos, os antigos, os "grandes arquitetos da música brasileira" como Ataulfo Alves e Nelson Cavaquinho. Mas foi uma música deste último que me bateu como um chute no peito (e olha que quando fiz capoeira tomei um chute desses no meu batizado e eu sei bem o que é!). "Luz Negra". A culpa é do meu primo-irmão Raphael. Foi ele que uma vez colocou uma frase dela no seu MSN e me interessou, só que ontem, em especial, ela me veio à cabeça e eu a procurei. Uma música linda, que acabou ficando mais conhecida pela voz de Cazuza, mas insuperável em sua versão original, com aquela voz de "vitrola antiga" (como costumo falar dos sambistas-velha-guarda).

Quero também registrar aqui mais uma coisa que descobri esses dias. Se me pergutarem qual foi o melhor CD de 2004 com certeza eu direi que foi "Eu me transformo em outras" da Zélia Duncan. ela gravou tanta coisa boa, tantos sambas, tantos choros, com arranjos fabulosos e aquela voz maravilhosa dela (que rouca combina mais ainda com esse estilo musical). É óbvio que para ser tão bom tinha que ser independente. Tem até uma música (que tocou bastante em rádio) do Luiz Tatit, "Capitu", muito boa também.

Nesse disco duas músicas em especial fizeram minha cabeça, mas eu não direi aqui, ainda pretendo usá-las num momento oportuno.

Deixo agora a música do Nelson Cavaquinho. Um abraço!

Luz Negra
(Nelson Cavaquinho - Amâncio Cardoso)

Sempre só
eu vivo procurando alguém
que sofra como eu também
mas não consigo achar ninguém

Sempre só
e a vida vai seguindo assim
não tenho quem tem dó de mim
estou chegando ao fim

A luz negra de um destino cruel
ilumina o teatro sem cor
onde eu desempenho o papel
de palhaço do amor


(essa última estrofe é um disparo no coração e um disparar de coração.)
Link no rapidshare.de
Infelizmente só consegui a versão do Cazuza. Apesar de boa, prefiro a do próprio Nelson Cavaquinho.