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23 agosto, 2006

Irmãos Karamazov



Companheiros,

o pessoal da UFRGS realizou um belo serviço de utilidade pública e disponibilizou na internet os Irmãos Karamazov numa versão reduzida, para leitura.

Indico a todos o capítulo chamado "O Grande Inquisidor".

Confiram:

http://www.ufrgs.br/proin/versao_2/dostoievsky/index.html

Abraços a todos!

17 agosto, 2006

Veja o preconceito

(detalhe da capa: Gilmara, 27 anos, três filhos: eleitora nordestina)



É bom voltar aos meus escritos depois de tanto tempo. Só é engraçado usar essa expressão "voltar aos meus escritos" quando o que justamente me afastou do blog foi a redação da malfadada dissertação. Pois bem, para os que ainda não sabem, enfim eu a terminei e defendi. Agora ainda restam algumas correções, etc, mas nada que me faça perder os cabelos como estava acontecendo antes.

Mas nada melhor para me dar vontade de postar aqui do que a VEJA. Confesso, entretanto, que eu ainda não tinha visto essa capa e fui alertado para esse detalhe pelo repórter Altamiro Borges do NPC (
www.piratininga.org.br), mas é simples perceber a exagerada carga de preconceito existente em todos os detalhes dela.

Vamos lá, é claro que pelas últimas pesquisas é no eleitorado de classes mais baixas Lula tem maior aceitação, especialmente se olharmos para o Nordeste (onde também, não por acaso, ele iniciou sua campanha), mas agora me responda: qual o problema?

O problema é que as elites não conseguem engolir um governo mais voltado para o povo (e olha que o governo Lula ficou anos-luz aquém do que eu, como eleitor dele em 2002, queria). Sempre que isso acontece há a acusação de populismo, mau uso da máquina pública, falta de atenção para o comercio e os "mercados", etc (vide o governo Chavéz). É claro que para as elites o melhor mesmo é uma aristocracia, onde não há o risco uma eleição ser decidida pela maioria da população (maioria que, claro, não é nem pode ser da elite. Nunca existiu excesso de elite, o que existe é excesso de pobres!).

O interesse é que realmente a mão-de-obra fique cada vez mais barata, que as pessoas sejam cada vez mais necessitadas, e que o desemprego seja cada vez mais alto. Meus caros, não se esqueçam do velho conceito de "exército de reserva". Se algum funcionário vira para o patrão e diz que seu salário não corresponde ao seu trabalho, o patrão deve ter a plena e imediata possibilidade de dizer "então peça as contas, dê meia volta, porque existem centenas de pessoas dispostas a trabalhar no mesmo cargo por muito menos!".

Mas confesso mais uma vez: eu não quero, por enquanto, tratar desse assunto de forma partidária para falar bem ou mal deste ou daquele candidato. Todavia, o que eu não posso deixar calar é esse claro preconceito demostrado pela desastrosa e desgraçada revista Veja. O que ela quis insinuar com isso? Qual o problema de as eleições serem decididas pelas classes C, D, E, ..., Z? Nosso sistema democrático não é um sistema que se baseia na maioria? Deixem a maioria votar! Aí veremos mesmo com quantos operários se faz uma indústria!

A questão que ainda tem ficado obscurecida e que merece ser lembrada é que junto com a decadência de Alckmin, não está só a subida de Lula como a de Heloísa Helena. Eu estou torcendo para que, a despeito dos problemas da democracia representativa brasileira (que desde sempre conviveu com caixas 2, mensalinhos e mensalões), a população tenha escolhido um lado. Pena que esse lado não possa não ser a esquerda, mas pelo menos é um lado que repudia a extrema direita conservadora, burguesa e elitista dos Geraldos-Malan-Cardoso-Virgílio-Malvadeza-pra-chuchu da vida...

Um grande abraço a todos!

Humberto

20 junho, 2006

Calma, calma

Ei pessoal, se alguém ainda aparece por aqui, muita calma nessa hora. Estou quase ficando definitivamente livre do mestrado, depois que isso passar terei tempo pra voltar a postar no blog... Pena que parei de a(ssa)ssinar a Veja, assim terei menos um motivo semanal pra reclamar, rsrs

Abraços!

12 maio, 2006

música que não sai da cabeça


I swapped my innocence for pride
Crushed the end within my stride
Said 'I'm strong now I know that I'm a leaver"
I love the sound of you walking away, you walking away
Mascara bleeds a blackened tear
And I am cold, Yes I'm cold, But not as cold as you are
I love the sound of you walking away, you walking away
I love the sound of you walking away, walking away hey hey

Why don't you walk away?(x3)
No buildings will fall down
Won't you walk away?
No quake will split the ground
Won't you walk away?
The sun won't swallow the sky
Won't you walk away?
Statues will not cry
Won't you walk away?
Why don't you walk away?(x3)

I cannot turn to see those eyes
As apologies may rise
I must be strong and stay an unbeliever
And love the sound of you walking away, you walking away
Mascara bleeds into my eye
And I'm not cold, I am old, At least as old as you are
(La la la...)

And as you walk away?
Oh, as you walk away?(x2)
My headstone crumbles down
As you walk away?
The Hollywood wind's a howl
As you walk away?
The Kremlin's falling
As you walk away?
Radio 4 is static
As you walk away?
Oh, as you walk away?(x3)

The stab of stiletto
On a silent night
Stalin smiles
Hitler laughs
Churchill claps
Mao Tse-Tung
On the back

07 maio, 2006

Ô Rita, tu sai da janela

Ontem o show foi do Lenine. Não existem palavras pra descrever o que (ou)vi, só digo que as gotas vieram numa sequência: suei, chorei e babei!

Estar a poucos metros de um artista como aquele, vendo uma apresentação com infinitos "bis" (e ele só parou de tocar quando já não aguentava mais, era engraçado ver a sua cara de espanto ao receber outro pedido de "mais uma"), valeu mais do que a pena!

Mas ainda que todas as músicas dele sejam perfeitas, e a sua "pegada" no violão seja única, uma canção, em especial, me chamou mais a atenção. Talvez pelo fato de citar quase todas as mulheres homenageadas pela música brasileira, mas talvez ainda pelo outro fato de assim citar aquela que não é citada (ou que é citada só por uma música que não vale a pena): só você, que é todas elas juntas num só ser!


Todas elas juntas num só ser
Lenine

Não canto mais Babete nem Domingas
Nem Xica nem Tereza, de Ben jor;
Nem Drão nem Flora, do baiano Gil;
Nem Ana nem Luiza, do maior;

Já não homenageio Januária,
Joana, Ana, Bárbara, de Chico;
Nem Yoko, a nipônica de Lennon;
Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico;

Nem a tigreza nem a vera gata
Nem a branquinha, de Caetano;
Nem mesmoa linda flor de Luiz Gonzaga,
Rosinha, do sertão pernambucano;
Nem Risoflora, a flor de Chico Science,
Nenhuma continua nos meus planos.
Nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcett;
Nem Anna Júlia do Los Hermanos.

Só você,
Hoje eu canto só você;
Só você,
Que eu quero porque quero, por querer.

Não canto de Melô pérola negra;
De Brown e Hebert, uma brasileira;
De Ari, nem a baiana nem Maria,
Nem a Iaiá também, nem minha faceira;
De Dorival, nem Dora nem Marina
Nem a morena de Itapoã;
Divina garota de Ipanema,
Nem Iracema, de Adoniran.

De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;
De Michael Jackson, nem a Billie Jean;
De Jimi Hendrix, nem a doce Angel;
Nem Ângela nem Lígia, de Jobim;

Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz,
Das doze deusas de Edu e Chico;
Até das trinta Leilas de Donato,
E de Layla, de Clapton, eu abdico.

Só você,
Canto e toco só você;
Só você,
Que nem você ninguém mais pode haver.


Nem a namoradinha de um amigo
E nem a amada amante de Roberto;
E nem Michelle-me-belle, do beattle Paul;
Nem Isabel - Bebel - de João Gilberto;

E nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg;
Nem, de Totó, na malafemmená;
Nem a Iaiá de Zeca Pagodinho;
Nem a mulata mulatinha de Lalá;

E nem a carioca de Vinícius
E nem a tropicana de Alceu
E nem a escurinha de Geraldo
E nem a pastorinha de Noel
E nem a namorada de Carlinhos
E nem a superstar do Tremendão
E nem a malaguenha de Lecuona
E nem a popozuda do Tigrão

Só você,
Hoje elejo e elogio só você,
Só você,
Que nem você não há nem quem nem quê.


De Haroldo Lobo com Wilson Batista,
De Mário Lago e Ataulfo Alves,
Não canto nem Emília nem Amélia,
Nenhuma tem meus vivas! E meus salves!
E nem Angie, do stone Mick Jagger;
E nem Roxanne, de Sting, do Police;
E nem a mina do mamona Dinho
E nem as mina – pá! - do mano Xiz!

Loira de Hervê e loira do É O Tchan,
Lôra de Gabriel, o Pensador;
Laura de Mercer, Laura de Braguinha,
Laura de Daniel, o trovador;

Ana do Rei e Ana de Djavan,
Ana do outro rei, o do baião
Nenhuma delas hoje cantarei:
Só outra reina no meu coração.

Só você,
Rainha aqui é só você,
Só você,
A musa dentre as musas de A a Z.


Se um dia me surgisse uma moça
Dessas que com seus dotes e seus dons,
Inspira parte dos compositores
Na arte das palavras e dos sons,
Tal como Madallene, de Jacques Brel,
Ou como Madalena, de Martinho;
Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry,
E a manequim do tímido Paulinho;

Ou como, de Caymmi, a moça prosa
E a musa inspiradora Doralice;
Se me surgisse uma moça dessas.
Confesso que eu talvez não resistisse;
Mas, veja bem, meu bem, minha querida;
Isso seria só por uma vez,
Uma vez só em toda a minha vida!
Ou talvez duas... mas não mais que três...

Só você...
Mais que tudo é só você;
Só você...
As coisas mais queridas você é;


Você pra mim é o sol da minha noite;
É como a rosa, luz de Pixinguinha;
É como a estrela pura aparecida,
A estrela a refulgir, do Poetinha;
Você, ó flor, é como a nuvem calma
No céu da alma de Luiz Vieira;
Você é como a luz do sol da vida
De Steve Wonder, ó minha parceira.

Você é pra mim e o meu amor,
Crescendo como mato em campos vastos,
Mais que a gatinha para Erasmo Carlos;
Mais que a cigana pra Ronaldo bastos;
Mais que a divina dama pra Cartola;
Que a domna pra Ventadorn, Bernart;
Que a honey baby pra Waly Salomão
E a funny valentine pra Lorenz Hart.

Só você,
Mais que tudo e todas, é só você;
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser.

05 maio, 2006

poemas roubados

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro

10 abril, 2006




"Me interessa tanto a faceta pop,
como a glória da maldição"
Zeca Baleiro



23 março, 2006

Distração

Essa música me pegou hoje num momento de "distração" e, poxa, ela é bem verdade... Me lembra uma frase que ouvi há anos "Expect nothing and the world will be yours"... Eu sempre tentei seguir isso, apesar de a racionalização que o dia-a-dia nos exige acabar nos fazendo esquecer da dimensão do acaso... Quando vc espera demais alguma coisa e ela não vem, você se desaponta, mas quando não espera nada, todo dia você tem uma supresa nova...

É isso aí!
Com vocês, na voz de Zélia Duncan:


DISTRAÇÃO
Christiaan Oyens - Zélia Duncan

Se você não se distrai, o amor não chega
A sua música não toca
O acaso vira espera e sufoca
A alegria vira ansiedade
E quebra o encanto doce
De te surpreender de verdade
Se você não se distrai, a estrela não cai
O elevador não chega
E as horas não passam
O dia não nasce, a lua não cresce
A paixão vira peste
O abraço, armadilha

Hoje eu vou brincar de ser criança
E nessa dança, quero encontrar você
Distraído, querido
Perdido em muitos sorrisos
Sem nenhuma razão de ser
Olhando o céu, chutando lata
E assoviando Beatles na praça
Hoje eu quero encontrar você

Se você não se distrai,
Não descobre uma nova trilha
Não dá um passeio
Não rí de você mesmo
A vida fica mais dura
O tempo passa doendo
E qualquer trovão mete medo
Se você está sempre temendo
A fúria da tempestade


(Pra quem quiser ouvir, essa é a nona música do novo CD da Zélia Duncan, Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band)

22 março, 2006

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm

E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio

E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...

Alberto Caeiro


Esse poema me foi enviado pela Paula Stein no orkut. Era a única mensagem que eu havia resolvido não apagar, mas, sem querer, acabei o fazendo. Em homenagem, coloco aqui.

18 março, 2006

Keep Walking


Let us drink to the future,
never to the past.


Keep walking, always.

13 março, 2006

A manifestação dos policiais civis e os humanos sem direitos

Enquanto uns manifestam e outros fecham as portas; enquanto brigam policiais, governo, secretarias, judiciário, uns jogando a responsabilidade por sobre os outros; existem algumas pessoas (frise-se que eu disse “pessoas”!) que são esquecidas no meio desse fogo cruzado. E no dia 10 de março penso que chegamos ao ápice disso na “carreata” que os policiais civis fizeram até o Palácio Anchieta.

Em uma das inúmeras reportagens sobre o assunto, um dos policiais havia comentado algo sobre levar alguns dos suspeitos sob custódia em camburões até a sede do Governo, mas confesso que no momento achei que fosse mais uma frase de efeito (e de muito mau gosto!), que nunca seria trazida à prática. Entretanto, sim, eles levaram dois camburões com dez pessoas em cada para a sua manifestação.

O que eu me pergunto é o que eles poderiam estar pensando ao fazer isso? Que como numa manifestação de garis eles estariam colocando lixo aos pés do Governador? Ou que levar essas pessoas em dois cubículos motorizados seria o mesmo que levar os carros, armas ou fardas sem condição de uso? Ou será que pensaram que, como numa manifestação de criadores de suínos, estariam levando seus porcos até lá? (Mas calma, acho que esses criadores teriam um cuidado e um respeito muito maior por seus animais do que os policiais tiveram para com aqueles sujeitos!).

É inadmissível pensar que alguém em sã consciência tenha tido a brilhante idéia de usar seres humanos para denunciar a superlotação das delegacias e para levar adiante picuinhas internas entre departamentos e secretarias. Será que para denunciar a tortura é preciso colocar alguém num pau-de-arara em frente ao Palácio Anchieta? A única lógica que há nisso tudo é da completa falta de lógica.

Mas é que o centro desse debate não são melhores condições para os que estão enjaulados (já que esses são tidos como a escória da sociedade, mesmo quando nem julgados foram), e sim disputas entre um departamento e outro, problemas particulares entre alguns poucos, e a velha e estúpida falta de comunicação e de integração entre os diversos setores responsáveis pela segurança pública.

No entanto não quero ser injusto e não reconhecer que de fato há uma legítima reivindicação por melhores condições de trabalho e melhores salários. Claro que é bem difícil para os policiais civis e militares trabalharem com a infra-estrutura precária que eles possuem. Entretanto, convenhamos, eu não queria nem de longe estar na pele de um daqueles 30, 40, 70 (e quem sabe quantos?) que estão amontoados no espaço que deveria comportar 20, 10 ou 5... Se queriam fazer alguma coisa pela superlotação que soltassem os suspeitos! Se não há espaço, que sejam feitas suas autuações e depois sejam eles postos em liberdade. Fazem isso todos os dias com criminosos muito piores (mas cuja diferença principal está no uso de terno e gravata), não iria fazer diferença. Não mesmo!

O problema é que existe uma periferia da sociedade que é tratada como dejeto. Dejetos humanos. Quando são eles que estão na linha de frente, tudo é permitido, inclusive rodar pela cidade de Vitória dentro de um carro sem janelas e sem a possibilidade nem de usar um banheiro, simplesmente por conta de uma “manifestação”. Afinal, eles são o exemplo. Eles são os bichos-papões que usamos para assustar as criancinhas. “Olhe meu filho, se você fumar maconha vai virar marginal igualzinho aquele cara lá. Vai roubar, vai matar e ser preso”. Mas o que esquecem é que nenhuma criança acredita em Papai Noel para sempre, e bem cedo ela descobre que se não faz parte daquela casta nada acontece. Ela poderá praticar suas ilegalidades quase que para sempre que, mesmo quando algo fugir dessa (i)lógica ela não estará sujeita ao zoológico humano que vemos na televisão (ou será que José Carlos Gratz, quando estava preso na Praia do Canto, também dividia sua cela com mais trinta pessoas e passeava de camburão?).

O que esquecem, no fundo, é que essa violência que chega todos os dias nos vidros de nossos carros, nas nossas carteiras desaparecidas e nos relógios já perdidos é simplesmente o outro lado da desigualdade que grita “Estamos aqui!” para sair de sua eterna invisibilidade. Se chamamos essas pessoas de monstros, nos esquecemos que elas são nossos “frankensteins”. Aqueles monstros que nós criamos e que, invariavelmente, irão se voltar contra seus criadores.

Acho, entretanto que, o mínimo que podemos fazer, é pensar que aqueles que tratamos como dejetos, são humanos que, como todos dessa espécie, têm direitos historicamente consagrados. Claro que é mais fácil esconder a sujeira debaixo do tapete que limpar a casa. Mas enquanto todos não se chamam às próprias responsabilidades, é essencial que alguém dê um grito para lembrar que no meio de toda a confusão existem pessoas, ainda que sempre as olhemos por debaixo de um “véu de invisibilidade”.

02 março, 2006

Papagaio que acompanha joão-de-barro...

Essa é a música que eu deveria estar cantando, mas quem me conhece sabe que nem sempre eu consigo... Minha única meta é não dar uma de papagaio acompanhando joão-de-barro, pois, como diz minha mãe "Quem anda com morcego dorme de cabeça pra baixo"!


Eu não quero sair
Hoje eu vou ficar quieto
Não adianta insistir
Eu não vou pro boteco

Eu não quero sair
Hoje eu vou ficar quieto
Não adianta insistir
Eu não vou pro boteco

Hoje eu não teco, não fumo
Não jogo sinuca
Não pego no taco
Tem muita gente maluca
Me apurrinhando
Enxendo o meu saco

Hoje eu estou de vara curta
Vou ficar no barraco
O que não falta é tatu
Pra me levar pro buraco

Conversa afiada amador
Carambola
Espeto é de pau em casa de ferreiro
Papagaio que acompanha João-de-Barro,
se enrola
Vira ajudante de pedreiro!

14 fevereiro, 2006

Sobre o amor e algo mais



"Amar profundamente numa direção
nos torna mais amorosos em todas as outras"
Ana Sofia de Swetchine (1782-1857)



A lucidez perigosa

Esse é um poema que a minha grande pequena amiga Lalá me deu. Gostei demais! E por isso vou colocá-lo aqui para todos lerem e para todos saberem o quanto eu adorei.

Beijos Lalá!


A lucidez perigosa
Clarice Lispector

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.

Pois sei que - em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

07 fevereiro, 2006

Foi o tempo que perdi com minha rosa...


"Foi o princepezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vos não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

E voltou, então à raposa:
- Adeus disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o princepezinho a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que perdi com minha rosa... repetiu o princepezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... Repetiu o princepezinho, a fim de se lembrar."

06 fevereiro, 2006

Sapatos e vacas



A minha obsessão por sapatos e vacas
Diverte os amigos
Os inimigos
Os psicólogos
Creio que diverte também até as próprias vacas
— menos a Poesia!

Mário Quintana

Isso foi enviado pelo Orkut para o meu amigo Mateus de Quadros. Gostei dela, até porque os que me conhecem bem sabem que, nem tanto por sapatos, mas minha obsessão por vacas chega a ser engraçada. Para se ter uma idéia, essa foto aí foi tirada por mim!

Olhando os posts anteriores, acho que ficou bem oportuna a sequência de "Adeus ano velho" e "O Rei"... Deve ser uma daquelas que Freud explica...

31 janeiro, 2006

A mídia oficial e o Fórum Social Mundial

Como todos sabem, a mídia é um assunto que muito me interessa (especialmente a crítica a ela). Vou reproduzir para vocês um boletim que recebi sobre o que a mídia oficial andou dizendo sobre o FSM.

Todas as informações sobre a fonte e a autoria estão aqui.



http://www.piratininga.org.br/
Boletim do NPCNº 81De 1 a 15.2.2006
Para jornalistas, dirigentes, militantes e
assessores sindicais e dos Movimentos Sociais


De Olho Na Mídia

FSM 1Globo tenta aterrorizar leitores contra FSM e governo Chávez
Sombra chavista sobre o Fórum Social Mundial” (O Globo), “Fórum Social não consegue explicar como é financiado” (Folha de S.Paulo), “Oposição critica Chávez por gastos do Fórum” (Estado de S.Paulo).

Quando se trata de Chávez, o Globo consegue ultrapassar seus limites em falta de objetividade e tentativa de manipulação. Os outros dois, os jornais paulistas, embora tenham destacado o que pode ser problema na condução do fórum, deixando de lado a riqueza que é sua realização, pelo menos foram objetivos em suas manchetes arrancadas de uma entrevista coletiva. Aquelas para as quais muitos jornalistas saem da redação com o único objetivo de confirmar suas teses. O Globo foi além: “sombra chavista”. Sombra, sombrio, assustador. O objetivo é esse mesmo: assustar. Botar medo. Medo da favela, medo da dengue, medo da tempestade, medo do comunismo e... medo do Chavez.

Sobre a passeata poucas linhas. Sobre os gastos feitos pelo governo da Venezuela com o FSM, todas as linhas. Já imaginaram esta ira toda em serviço da defesa das riquezas espoliadas dos países da América Latina, entre eles o Brasil? Já imaginaram esta ira usada para informar, como fez Eduardo Galeano “que com o gás boliviano estava sendo repetida uma história antiga de tesouros roubados ao longo de mais de quatro séculos, desde meados do século 16: a prata de Potosí deixou uma montanha vazia, o salitre da costa do Pacífico deixou um mapa sem mar, o estanho de Oruro deixou uma multidão de viúvas?”

Já imaginaram esta ira toda sendo usada para denunciar a criminosa e secular estrutura fundiária brasileira que concentra 90% das terras nas mãos de um punhado de proprietários rurais? Ou para protestar contra a transmutação, como explica o professor Andrelino Campos, dos quilombos nas favelas cariocas, onde o branco pobre, o migrante e os negros são submetidos à violência do Estado e de bandos de criminosos? (Do Quilombo à Favela Andrelino Campos. Editora: Bertrand Brasil. R$ 24,90) Mas isso tudo é bobagem, é detalhe para os grandes jornais. Seria auto-denúncia. Ou não são os proprietários de jornais membros da classe que domina e explora há 500 anos o povo trabalhador brasileiro?
(Por Claudia Santiago)
FSM 2Sobre o FSM, O Globo só fala abobrinhas
Foto de Henrique Parra no ciranda.softwarelivre.org
Indígenas participam do Fórum em Caracas. Foto de Henrique Parra

O tom da cobertura que O Globo viria a fazer do maior evento da esquerda mundial foi dado na edição do dia 23 de janeiro. Na véspera da abertura, o jornal trouxe uma matéria que deixa claro todo o seu mau humor com o Fórum Social Mundial. Os grandes temas da cobertura de O Globo foram o caos no trânsito, engarrafamento, calor, financiamento por parte do governo Chávez e a confusão geral.

Vejamos alguns trechos:


Para complicar, pela primeira vez o espaço do evento será dividido em áreas diferentes da cidade anfitriã. Ainda devido ao viaduto, os participantes que estão em hotéis distantes do FSM terão de fazer percursos ainda mais longos. Isso numa cidade quente e abafada: venta pouco e chove menos ainda em Caracas.
Não há garantia de que as coisas ocorram como planejadas. Um dos temores dos organizadores é de que o presidente Hugo Chávez ocupe espaço demais nos eventos.
Ao contrário das edições anteriores em Porto Alegre e em Mumbai, na Índia, as atividades ocorrerão em vários locais. No entanto, o transporte entre os locais é só uma promessa dos organizadores. A idéia é distribuir passes gratuitos do metrô para os participantes.
Outra dificuldade será conseguir retirar crachás e materiais do FSM. A própria programação do FSM não tinha sido distribuída até a última sexta-feira. Os organizadores adiaram as adesões para até a última hora e é esperada uma grande confusão nos locais de acesso.

Quem participou das edições brasileiras sabe que estas dificuldades não são um problema da Venezuela. Será que Caracas esteve mais quente do que Porto Alegre no ano passado? Há garantias de que as coisas aconteçam como planejadas em um evento com a participação de mais de 100 mil pessoas de praticamente todas as partes do mundo? Por acaso em eventos deste porte é possível não haver filas para retiradas de crachás e materiais? Será esta a primeira vez que a programação foi distribuída na última hora?

(Por Claudia Santiago)
FSM 3Globo e Veja de mãos dadas contra a esquerda

Na matéria na edição de domingo, dia 29, O Globo volta à campanha contra Chávez. Título e sub-título induzem o leitor ao erro. Internacional chavista e Presidente venezuelano quer bloco antiimperialita. A Folha de S. Paulo é bem mais honesta: “Fórum troca discurso pela paz por luta contra o imperialismo.” Por que o erro? Porque não é Chávez quem propõe a mudança na filosofia do FSM, mas organizações que participam do evento desde sua criação.

Na campanha contra o governo democraticamente eleito de Hugo Chávez, o jornal O Globo está de mãos dadas com a Veja. A peça produzida pela revista na edição 1941 para tratar do apoio da Venezuela à Escola de Samba carioca Vila Isabel é de fazer rir qualquer pessoa em sã consciência mesmo que seja parte da classe média assustada com medo da esquerda.

Vejamos o diz o primeiro parágrafo do artigo:

“A farra de autopromoção que Hugo Chávez vem fazendo à custa do dinheiro do povo venezuelano é um crime à espera de castigo. Chávez oferece petróleo a preços módicos a países cujo apoio quer conquistar _ como a Bolívia _, dá sobrevida à moribunda ditadura castrista em Cuba e inebria os intelectuais da esquerda brasileira com suas promessas de dinheiro farto. Sua última cartada é o samba”.
(Por Claudia Santiago)
FSM 4Veja tem razão: não somos
inofensivos

Como nos anos anteriores Veja manteve a tradição de esconder o FSM em suas capas. Nas outras edições, sempre colocou matérias sobre aspectos marginais, como a torta na cara do então deputado José Genoíno ou as barraquinhas vendendo cachaça com a imagem estampada de Che Guevara. Desta vez, havia uma novidade: a realização do Fórum era na terra de Chávez, seu atual inimigo número 1. (Vide edição da semana do golpe da direita em 2002 contra Chávez). Neste ano não teve matéria nenhuma. O assunto foi tratado através de um colunista. Vejam que beleza de opinião sobre nosotros:

“Esse fórum é uma romaria de jovens (e de madurões infantilizados) em busca de um sentido para a sua agenda política”. No final se contradiz ao dizer que os participantes do FSM sabem bem o sentido da sua agenda política que, segundo o colunista, seriam o combate à economia de mercado e à democracia. Agora, uma das afirmações do jornalista nos agrada. Ele diz: “Não são inofensivos”. Nisso, pelo menos, ele tem razão. Não somos mesmo! E nem são inofensivos os milhões de jornais e boletins que produzimos diariamente em todo o país, através da imprensa sindical e popular e da imprensa alternativa de jornais e revistas como Caros Amigos, Brasil de Fato, Reportagem e outras.

Essas e outras reforçam todos os dias a necessidade de os trabalhadores terem a sua própria imprensa. Como disse, há alguns anos, o então assessor de imprensa do Sindicato dos Químicos de São Paulo e hoje professor da USP, Valdeci Verdelho: “Uma imprensa que comunica o que lhes diz respeito e o que é de interesse de sua classe”.

Por isso, caros amigos, cuidemos bem de nossas publicações!
(Por Claudia Santiago)
Para se informar sobre o FSM, visite: www.agenciacartamaior.com.br

30 janeiro, 2006

Impressões de Verão em Guarapari


Parte 1 - Fernando Pessoa na Bacutia

Tudo vale a pena se a bunda não é pequena (até silicone!).


Parte 2 - Mar português


Tudo vale a pena pela bunda que não é pequena (até tomar bomba!).


Parte 3 - Terra à vista!

Tudo vale a pena quando a bunda não é pequena (até comprar novos óculos escuros!).


Parte 4 - Consciência ecológica


A Enseada Azul é, de fato, o reduto dos Porcos cor-de-rosa (ou de jambo!).

16 janeiro, 2006

O Rei

"...um rei que não morre
e nunca envelhece
e que é vitalício
é só o reinício."

O Rei - Luiz Tatit



PS.: Ci, eu não desisti de escrever não, o problema é que a dissertação tem consumido meu tempo, nem na internet tenho entrado direito... Mas vez por outra prometo continuar postando... Um beijo!

02 janeiro, 2006

Adeus Ano Velho!

Para todos um Feliz Ano Novo! Tudo em maiúsculas, como quero que esse ano seja. Deixar pra trás o que passou e ficar com o pouco do que sobrou. Como disse o Batata, na falta de alguma entidade como um Papai Noel para pedir alguma dádiva, pedimos a nós mesmos, colocamos tudo na primeira pessoa. Então sobra a mim mesmo a possibilidade (e capacidade) de mudança. No mais, apele a deus que fica mais fácil, se algo der errado vc já tem a quem culpar.

Hoje eu só me viro pro ano passado para dizer a ele "Adeus você, eu hoje vou pro lado de lá, estou levando tudo de mim, que pra não ter razão pra chorar" num belo estilo Los Hermanos.

Vamos ver o que a vida nos reserva daqui pra frente. Agora, só "quero não saber de cor, meu bem. Pra que minha vida siga adiante, pra que minha vida siga adiante..."

Um grande abraço àqueles que me acompanharam por essas páginas esse ano. Que tudo possa ser diferente e que trabalhemos muito para tentar transformar sonhos em realidade. E ainda melhor, para que possamos sonhar novos sonhos...