É bom voltar aos meus escritos depois de tanto tempo. Só é engraçado usar essa expressão "voltar aos meus escritos" quando o que justamente me afastou do blog foi a redação da malfadada dissertação. Pois bem, para os que ainda não sabem, enfim eu a terminei e defendi. Agora ainda restam algumas correções, etc, mas nada que me faça perder os cabelos como estava acontecendo antes.
Mas nada melhor para me dar vontade de postar aqui do que a VEJA. Confesso, entretanto, que eu ainda não tinha visto essa capa e fui alertado para esse detalhe pelo repórter Altamiro Borges do NPC (www.piratininga.org.br), mas é simples perceber a exagerada carga de preconceito existente em todos os detalhes dela.
Vamos lá, é claro que pelas últimas pesquisas é no eleitorado de classes mais baixas Lula tem maior aceitação, especialmente se olharmos para o Nordeste (onde também, não por acaso, ele iniciou sua campanha), mas agora me responda: qual o problema?
O problema é que as elites não conseguem engolir um governo mais voltado para o povo (e olha que o governo Lula ficou anos-luz aquém do que eu, como eleitor dele em 2002, queria). Sempre que isso acontece há a acusação de populismo, mau uso da máquina pública, falta de atenção para o comercio e os "mercados", etc (vide o governo Chavéz). É claro que para as elites o melhor mesmo é uma aristocracia, onde não há o risco uma eleição ser decidida pela maioria da população (maioria que, claro, não é nem pode ser da elite. Nunca existiu excesso de elite, o que existe é excesso de pobres!).
O interesse é que realmente a mão-de-obra fique cada vez mais barata, que as pessoas sejam cada vez mais necessitadas, e que o desemprego seja cada vez mais alto. Meus caros, não se esqueçam do velho conceito de "exército de reserva". Se algum funcionário vira para o patrão e diz que seu salário não corresponde ao seu trabalho, o patrão deve ter a plena e imediata possibilidade de dizer "então peça as contas, dê meia volta, porque existem centenas de pessoas dispostas a trabalhar no mesmo cargo por muito menos!".
Mas confesso mais uma vez: eu não quero, por enquanto, tratar desse assunto de forma partidária para falar bem ou mal deste ou daquele candidato. Todavia, o que eu não posso deixar calar é esse claro preconceito demostrado pela desastrosa e desgraçada revista Veja. O que ela quis insinuar com isso? Qual o problema de as eleições serem decididas pelas classes C, D, E, ..., Z? Nosso sistema democrático não é um sistema que se baseia na maioria? Deixem a maioria votar! Aí veremos mesmo com quantos operários se faz uma indústria!
A questão que ainda tem ficado obscurecida e que merece ser lembrada é que junto com a decadência de Alckmin, não está só a subida de Lula como a de Heloísa Helena. Eu estou torcendo para que, a despeito dos problemas da democracia representativa brasileira (que desde sempre conviveu com caixas 2, mensalinhos e mensalões), a população tenha escolhido um lado. Pena que esse lado não possa não ser a esquerda, mas pelo menos é um lado que repudia a extrema direita conservadora, burguesa e elitista dos Geraldos-Malan-Cardoso-Virgílio-Malvadeza-pra-chuchu da vida...
Um grande abraço a todos!
Humberto