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31 janeiro, 2006

A mídia oficial e o Fórum Social Mundial

Como todos sabem, a mídia é um assunto que muito me interessa (especialmente a crítica a ela). Vou reproduzir para vocês um boletim que recebi sobre o que a mídia oficial andou dizendo sobre o FSM.

Todas as informações sobre a fonte e a autoria estão aqui.



http://www.piratininga.org.br/
Boletim do NPCNº 81De 1 a 15.2.2006
Para jornalistas, dirigentes, militantes e
assessores sindicais e dos Movimentos Sociais


De Olho Na Mídia

FSM 1Globo tenta aterrorizar leitores contra FSM e governo Chávez
Sombra chavista sobre o Fórum Social Mundial” (O Globo), “Fórum Social não consegue explicar como é financiado” (Folha de S.Paulo), “Oposição critica Chávez por gastos do Fórum” (Estado de S.Paulo).

Quando se trata de Chávez, o Globo consegue ultrapassar seus limites em falta de objetividade e tentativa de manipulação. Os outros dois, os jornais paulistas, embora tenham destacado o que pode ser problema na condução do fórum, deixando de lado a riqueza que é sua realização, pelo menos foram objetivos em suas manchetes arrancadas de uma entrevista coletiva. Aquelas para as quais muitos jornalistas saem da redação com o único objetivo de confirmar suas teses. O Globo foi além: “sombra chavista”. Sombra, sombrio, assustador. O objetivo é esse mesmo: assustar. Botar medo. Medo da favela, medo da dengue, medo da tempestade, medo do comunismo e... medo do Chavez.

Sobre a passeata poucas linhas. Sobre os gastos feitos pelo governo da Venezuela com o FSM, todas as linhas. Já imaginaram esta ira toda em serviço da defesa das riquezas espoliadas dos países da América Latina, entre eles o Brasil? Já imaginaram esta ira usada para informar, como fez Eduardo Galeano “que com o gás boliviano estava sendo repetida uma história antiga de tesouros roubados ao longo de mais de quatro séculos, desde meados do século 16: a prata de Potosí deixou uma montanha vazia, o salitre da costa do Pacífico deixou um mapa sem mar, o estanho de Oruro deixou uma multidão de viúvas?”

Já imaginaram esta ira toda sendo usada para denunciar a criminosa e secular estrutura fundiária brasileira que concentra 90% das terras nas mãos de um punhado de proprietários rurais? Ou para protestar contra a transmutação, como explica o professor Andrelino Campos, dos quilombos nas favelas cariocas, onde o branco pobre, o migrante e os negros são submetidos à violência do Estado e de bandos de criminosos? (Do Quilombo à Favela Andrelino Campos. Editora: Bertrand Brasil. R$ 24,90) Mas isso tudo é bobagem, é detalhe para os grandes jornais. Seria auto-denúncia. Ou não são os proprietários de jornais membros da classe que domina e explora há 500 anos o povo trabalhador brasileiro?
(Por Claudia Santiago)
FSM 2Sobre o FSM, O Globo só fala abobrinhas
Foto de Henrique Parra no ciranda.softwarelivre.org
Indígenas participam do Fórum em Caracas. Foto de Henrique Parra

O tom da cobertura que O Globo viria a fazer do maior evento da esquerda mundial foi dado na edição do dia 23 de janeiro. Na véspera da abertura, o jornal trouxe uma matéria que deixa claro todo o seu mau humor com o Fórum Social Mundial. Os grandes temas da cobertura de O Globo foram o caos no trânsito, engarrafamento, calor, financiamento por parte do governo Chávez e a confusão geral.

Vejamos alguns trechos:


Para complicar, pela primeira vez o espaço do evento será dividido em áreas diferentes da cidade anfitriã. Ainda devido ao viaduto, os participantes que estão em hotéis distantes do FSM terão de fazer percursos ainda mais longos. Isso numa cidade quente e abafada: venta pouco e chove menos ainda em Caracas.
Não há garantia de que as coisas ocorram como planejadas. Um dos temores dos organizadores é de que o presidente Hugo Chávez ocupe espaço demais nos eventos.
Ao contrário das edições anteriores em Porto Alegre e em Mumbai, na Índia, as atividades ocorrerão em vários locais. No entanto, o transporte entre os locais é só uma promessa dos organizadores. A idéia é distribuir passes gratuitos do metrô para os participantes.
Outra dificuldade será conseguir retirar crachás e materiais do FSM. A própria programação do FSM não tinha sido distribuída até a última sexta-feira. Os organizadores adiaram as adesões para até a última hora e é esperada uma grande confusão nos locais de acesso.

Quem participou das edições brasileiras sabe que estas dificuldades não são um problema da Venezuela. Será que Caracas esteve mais quente do que Porto Alegre no ano passado? Há garantias de que as coisas aconteçam como planejadas em um evento com a participação de mais de 100 mil pessoas de praticamente todas as partes do mundo? Por acaso em eventos deste porte é possível não haver filas para retiradas de crachás e materiais? Será esta a primeira vez que a programação foi distribuída na última hora?

(Por Claudia Santiago)
FSM 3Globo e Veja de mãos dadas contra a esquerda

Na matéria na edição de domingo, dia 29, O Globo volta à campanha contra Chávez. Título e sub-título induzem o leitor ao erro. Internacional chavista e Presidente venezuelano quer bloco antiimperialita. A Folha de S. Paulo é bem mais honesta: “Fórum troca discurso pela paz por luta contra o imperialismo.” Por que o erro? Porque não é Chávez quem propõe a mudança na filosofia do FSM, mas organizações que participam do evento desde sua criação.

Na campanha contra o governo democraticamente eleito de Hugo Chávez, o jornal O Globo está de mãos dadas com a Veja. A peça produzida pela revista na edição 1941 para tratar do apoio da Venezuela à Escola de Samba carioca Vila Isabel é de fazer rir qualquer pessoa em sã consciência mesmo que seja parte da classe média assustada com medo da esquerda.

Vejamos o diz o primeiro parágrafo do artigo:

“A farra de autopromoção que Hugo Chávez vem fazendo à custa do dinheiro do povo venezuelano é um crime à espera de castigo. Chávez oferece petróleo a preços módicos a países cujo apoio quer conquistar _ como a Bolívia _, dá sobrevida à moribunda ditadura castrista em Cuba e inebria os intelectuais da esquerda brasileira com suas promessas de dinheiro farto. Sua última cartada é o samba”.
(Por Claudia Santiago)
FSM 4Veja tem razão: não somos
inofensivos

Como nos anos anteriores Veja manteve a tradição de esconder o FSM em suas capas. Nas outras edições, sempre colocou matérias sobre aspectos marginais, como a torta na cara do então deputado José Genoíno ou as barraquinhas vendendo cachaça com a imagem estampada de Che Guevara. Desta vez, havia uma novidade: a realização do Fórum era na terra de Chávez, seu atual inimigo número 1. (Vide edição da semana do golpe da direita em 2002 contra Chávez). Neste ano não teve matéria nenhuma. O assunto foi tratado através de um colunista. Vejam que beleza de opinião sobre nosotros:

“Esse fórum é uma romaria de jovens (e de madurões infantilizados) em busca de um sentido para a sua agenda política”. No final se contradiz ao dizer que os participantes do FSM sabem bem o sentido da sua agenda política que, segundo o colunista, seriam o combate à economia de mercado e à democracia. Agora, uma das afirmações do jornalista nos agrada. Ele diz: “Não são inofensivos”. Nisso, pelo menos, ele tem razão. Não somos mesmo! E nem são inofensivos os milhões de jornais e boletins que produzimos diariamente em todo o país, através da imprensa sindical e popular e da imprensa alternativa de jornais e revistas como Caros Amigos, Brasil de Fato, Reportagem e outras.

Essas e outras reforçam todos os dias a necessidade de os trabalhadores terem a sua própria imprensa. Como disse, há alguns anos, o então assessor de imprensa do Sindicato dos Químicos de São Paulo e hoje professor da USP, Valdeci Verdelho: “Uma imprensa que comunica o que lhes diz respeito e o que é de interesse de sua classe”.

Por isso, caros amigos, cuidemos bem de nossas publicações!
(Por Claudia Santiago)
Para se informar sobre o FSM, visite: www.agenciacartamaior.com.br

30 janeiro, 2006

Impressões de Verão em Guarapari


Parte 1 - Fernando Pessoa na Bacutia

Tudo vale a pena se a bunda não é pequena (até silicone!).


Parte 2 - Mar português


Tudo vale a pena pela bunda que não é pequena (até tomar bomba!).


Parte 3 - Terra à vista!

Tudo vale a pena quando a bunda não é pequena (até comprar novos óculos escuros!).


Parte 4 - Consciência ecológica


A Enseada Azul é, de fato, o reduto dos Porcos cor-de-rosa (ou de jambo!).

16 janeiro, 2006

O Rei

"...um rei que não morre
e nunca envelhece
e que é vitalício
é só o reinício."

O Rei - Luiz Tatit



PS.: Ci, eu não desisti de escrever não, o problema é que a dissertação tem consumido meu tempo, nem na internet tenho entrado direito... Mas vez por outra prometo continuar postando... Um beijo!

02 janeiro, 2006

Adeus Ano Velho!

Para todos um Feliz Ano Novo! Tudo em maiúsculas, como quero que esse ano seja. Deixar pra trás o que passou e ficar com o pouco do que sobrou. Como disse o Batata, na falta de alguma entidade como um Papai Noel para pedir alguma dádiva, pedimos a nós mesmos, colocamos tudo na primeira pessoa. Então sobra a mim mesmo a possibilidade (e capacidade) de mudança. No mais, apele a deus que fica mais fácil, se algo der errado vc já tem a quem culpar.

Hoje eu só me viro pro ano passado para dizer a ele "Adeus você, eu hoje vou pro lado de lá, estou levando tudo de mim, que pra não ter razão pra chorar" num belo estilo Los Hermanos.

Vamos ver o que a vida nos reserva daqui pra frente. Agora, só "quero não saber de cor, meu bem. Pra que minha vida siga adiante, pra que minha vida siga adiante..."

Um grande abraço àqueles que me acompanharam por essas páginas esse ano. Que tudo possa ser diferente e que trabalhemos muito para tentar transformar sonhos em realidade. E ainda melhor, para que possamos sonhar novos sonhos...