Páginas

16 dezembro, 2005

Os três mal-amados (palavras de Joaquim)


Joaquim:

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.



As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.

12 dezembro, 2005

A inspiração vem de onde?



Estava vasculhando algumas imagens no meu computador, na falta de um "ânimo" pra sentar e escrever, quando encontrei essa, cujo nome é exatamente "seeking inspiration" (procurando inspiração). E não era exatamente o que eu fazia?

O problema é que eu não encontrei... Não tenho tido muitos motivos para inspirar-me. Esse ânimo que nos move a produzir nem sempre é fácil de achar. Mais fácil é perdermos nossas mentes em devaneios sem sentido que nos concentrarmos em algo que queremos (ou devemos) fazer.

Só consegui lembrar de uma música cantada por Nay Matogrosso e Pedro Luis e a Parede chamada, nada mais, nada menos, que: inspiração. Olhem aí:

Inspiração

Arranca o couro cabeludo
Arranca caspa, arranca tudo
Deixa entrar sol
Nesse porão

Em qualquer dia por acaso
Desfaz-se o nó, rompe-se o vaso
surge a luz da inspiração

Deixa seus anjos e demônios
Tudo está mesmo é nos neurônios
Num jeito interno
De pressão

Talvez se possa, como ajuda
Ter uma amante manteúda
Ou um animal de estimação

Pega a palavra, pega e come
Não interessa se algum nome
Possa te dar indigestão
O que se conta e se aproveita
É se a linguagem já vem feita
Com sua chave e seu chavão

A porta se abre é de repente
Como se no ermo do presente
Se ouvisse a voz da multidão

E o que tem força, o que acontece
É como um dia que estivesse
Sem calendário ou previsão

Fica de espera, de tocaia
Talvez um dia a casa caia
Talvez um dia a casa caia
fique tudo ao rés-do-chão

Fica a fumaça no cachimbo
Fica a semente no limão
Fica o poema no seu limbo
E na palavra um palavrão


Agora acho que estou nessa última... Tudo fica em seu lugar, e, na palavra, aquele bom e velho PUTA-QUE-O-PARIU do sentimento de dever não cumprido.

Um abraço!

PS.: Antes que eu me esqueça, segundo a Veja dessa semana o governo totalitário de Hugo Chávez é mais próximo do nazismo e do socialismo o que do governo de seu mentor intelectual Fidel Castro. Eles são bons, né?

07 dezembro, 2005

Indiferença

Nesse fim de semana eu li um poema do meu tio Jacob Ohana, dum livro (que não consigo encontrar em minha casa) intitulado "Cotidiano das ruas e dos entes". Salvo engano, esse é o poema de abertura. Achei interessante e copiei para poder postar aqui.

Indiferença
- Jacob Ohana -

Meu tempo é lã de sal nas avenidas
e testo um texto ao sol do meio dia.
Ninguém o lê, mas levam-no, afluentes
que somos, cada um no seu mergulho.

A pressa, o parto prestes a dizê-lo,
o pasto quente rega a flor oculta,
a ferradura cura o casco até feri-lo.
Soube que um ente chegará a roma
porque prega no vão da alma apressada
(ou cola seu discurso num azulejo liso e solto?)

A porta aberta nos reprime: range.
Somos irmãos, mas não entramos juntos,
uns virtuais, os outros dançam nus,
até que a sombra ensina-me um contorno,
do que deduzo ser meu trabalho,
um atalho, por onde o verso olha:
exceto a gravidez, nada é provavel.


Dispensa quaisquer outros comentários...
Um abraço!

Salve Jacob! (e melhoras para seus dedos artistas das cordas, calejados de tantos copos cheios que os acompanharam)

06 dezembro, 2005

As flores de verdade morrem

Ivan Liév entrou numa floricultura e, ao sair, a florista o disse fitando profundamente seus olhos:

- Não te vendi flores. Eu não vendo flores, vendo ilusões...

E vendo as ilusões que comprou, deixou-as de lado e deu três passos adiante - pois nem sempre ganhamos o jogo com a cartada final.

03 dezembro, 2005

...quero que as buzinas toquem flauta doce...

Ontem estava com minha amiga Lalá e ela me mostrou algumas coisas do Oswaldo Montenegro. A primeira música que ela quis que eu ouvisse tinha uma pequena explicação que o Oswaldo dava no início (o que já é costume dele quando toca ao vivo). Pois bem, ele dizia que certa vez viu o Jorge Ben Jor numa entrevista dizendo que nunca havia feito uma música triste. "Olhem só" dizia Oswaldo "que coisa boa, ele NUNCA fez uma música triste...". Isso o fez sentir inspirado a escrever essa canção, "Sem Mandamentos". Ela transmite uma felicidade crescente, a cada verso, a cada estrofe, inexplicavelmente você vai se sentindo diferente (pelo menos comigo funcionou assim)... Frases lindas nela... Gostei bastante, uma ótima música pra quando você se sente "mais sem graça que a top model magrela na passarela"... Vale a pena olhar a letra e, mais ainda, sentir a música!

Sem Mandamentos
- Oswaldo Montenegro -

Hoje eu quero a rua cheia de sorrisos francos
De rostos serenos, de palavras soltas
Eu quero a rua toda parecendo louca
Com gente gritando e se abraçando ao sol
Hoje eu quero ver a bola da criança livre
Quero ver os sonhos todos nas janelas
Quero ver vocês andando por aí
Hoje eu vou pedir desculpas pelo que eu não disse
Eu até desculpo o que você falou
Eu quero ver meu coração no seu sorriso
E no olho da tarde a primeira luz
Hoje eu quero que os boêmios gritem bem mais alto
Eu quero um carnaval no engarrafamento
E que dez mil estrelas vão riscando o céu
Buscando a sua casa no amanhecer
Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada
Rasgar a noite escura como um lampião
Eu vou fazer seresta na sua calçada
Eu vou fazer misérias no seu coração
Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
Pra escrever a música sem pretensão
Eu quero que as buzinas toquem flauta-doce
E que triunfe a força da imaginação

Faço uma pergunta aos blogueiros (apesar de que só uma pessoa irá responder, né Cinara?). Vocês não baixam as músicas porque não querem mesmo ou têm dificuldades? Qualquer coisa paro de me dar o trabalho de deixá-las aqui e continuo mantendo só as letras, ou explico melhor como fazer os downloads...

Essa música, entretanto, faço questão de deixar:

Um abraço!

30 novembro, 2005

A namorada que sonhei


Essa é das antigas. Uma música meio brega do passado que, não sei por qual motivo, lembrei essa semana. Só pra ter uma idéia, ela já foi gravada por Sidney Magal, Nelson Ned, Amado Batista, etc... Mas é legalzinha, rsrsrs, olhem a letra!

A namorada que sonhei

Receba as flores que lhe dou,
e em cada flor um beijo meu,
são flores lindas que lhe dou,
rosas vermelhas com amor,
amor que por você nasceu.

E seja assim por toda vida,
e a Deus mais nada pedirei.
Querida mil vezes querida
deusa na terra nascida
a namorada que sonhei.

E no dia consagrado aos namorados,
sairemos abraçados
por aí a passear.
um dia no futuro,
entao casados
quase eternos namorados
flores lindas eu ainda vou lhe dar.

Que seja assim por toda vida...

29 novembro, 2005

Romance da moreninha

Para os blogueiros uma música que acabei de ouvir e gostei bastante. Cantada por Alceu Valença, chama-se "Romance da moreninha". É bem bonita, quem tiver condições, BAIXE! (pra campanha! rsrs).

Romance da Moreninha

Composição: Emmanoel Cavalcanti - Alceu Valença

Moreninha
Do cabelo cacheado
Aonde eu for
Levo você a meu lado,
Moreninha
No meu translado
Tem a palavra de amor
Aonde eu for
Levo você a meu lado,
Moreninha

Inda me lembro
Do dia que te achei
Eu encontrei
A nossa felicidade,
Moreninha
O que eu tinha
Era saudade e paixão
A moreninha
Alegrou meu coração

Há tanta pedra
Em meu caminho,
Moreninha
Há tantos mistérios
No mar

Há tanta pedra
Em meu caminho,
Moreninha
Há tantos mistérios
No mar

Um certo dia
Moreninha foi embora
Não marcou hora
Nem sequer me avisou
Aonde ia
Na noite fria
Ouvi o ronco do vapor
Eu te perdia
Quando o navio apitou

Eu te perdia
Quando o navio apitou

Link:

27 novembro, 2005

Nova campanha!


E aí pessoal, gostei dessa campanha e resolvi colocar aqui. Mas olha só, um comentário crítico que faria é o de que isso é um tipo de ação contra as gravadoras, que exploram os artistas com as baixas remunerações e exploram os consumidores com os altos preços. Discos independentes não podem entrar nessa jogada...

CONTRA BURGUÊS, BAIXE MP3!

Um abraço!

Bloco do eu sozinho


Olhando o site dos Los Hermanos acabei, sem querer, clicando num link para o release do segundo CD deles, o "Bloco do eu sozinho" (nome que eu sempre adorei). Esse disco é de 2001, saiu depois do mega-sucesso Anna Júlia (aquela música que já tocava mais que hit de axé ou pagode). Interessante que esse CD representou um primeiro giro no estilo da banda. Mudanças que viriam se consolidar no "Ventura". Ficou mais samba, mais "fim de carnaval", como eles mesmos disseram.

É um belo disco!

Quando li o release, achei interessante a forma como eles destacaram suas mudanças, o que ocorreu, a certa negação do pop marketing de Anna Julia. E poderia dizer que foi uma sábia escolha. Hoje é a banda que, disparado, eu mais gosto no Brasil.

Não vou deixá-los na curiosidade, esse post foi para compartilhar com vocês esse texto. E para mostrar àqueles que ainda vêem os Los Hermanos como uma banda "Anna Júlia" que faz tempo que eles mudaram, e muito...

(Queria deixar registrado que gosto bastante da música "Anna Júlia", bem como de todo o primeiro CD. O que não me agradaria seria se eles continuassem com um mesmo estilo, fazendo musiquinhas comerciais só para vender milhões de discos. Acho que hoje eles têm um público muito mais fiel do que teriam se tentassem simplesmente se vender (e devem estar ganhando muito dinheiro também!). É uma prova de que existe a possibilidade de viver fazendo o que se gosta, desde que o faça bem!)

Segue aí:

"Los Hermanos continuam o Baile de Carnaval. A charanga ainda ecoa sobre o batuque secular do samba se espremendo entre marchas-rancho, chá-chá-chás e boleros para chegar à massa. Mas a celebração da alta noite aos poucos vai cedendo ao cansaço físico e a festa vai esmorecendo. Não estamos mais no meio de 250 mil compradores de disco berrando o refrão "Ô Anna Júliaaaaa" no meio de uma seqüência acelerada de neo-boleros pós-pagode que transformarama tradicional festa brasileira numa máquina registradora trabalhando emritmo industrial. O porre vai virando ressaca, a boca vai ressecando, acabou-se o que era doce. Mas, como a banda das quatro noites, o grupo carioca segue tocando. Masreduzem a marcha, literalmente. O frenesi frevo/axé/baião da eletricidade rock fica em segundo plano. É acessório, cosmético. Não adianta forçar o público para pular - olhe para eles, derrubados uns por cima dos outros.

Estamos entrando na quarta e última fase de qualquer boa noite de carnaval,aquela enunciada pelas emblemáticas Bandeira Branca e Máscara Negra. O trombone assume uma função tão importante quanto a guitarra no primeiro disco e o tom azul-madrugada do instrumento toma conta do segundo disco do Los Hermanos.

Bloco do Eu Sozinho canta o fim do baile, o nascer do dia, as pessoas acordando ainda meio bêbadas, entre fantasias rasgadas, garrafas derrubadas pelo chão, confete e serpentina desbotados pela mistura indecifrável de líquidos espalhados pelo chão. Canta para os vários solitários que atravessaram a noite inteira entre flertes e sorrisos e acabaram sem par como vieram. Mas agora eles estão amarrotados, suados, usados, borrados. O final de um baile de carnaval sempre vem mostrar para cada um de nós quem realmente somos. A fantasia cai tão pesada quanto a realidade que, indefectivelmente, é triste.

O grupo sente isso, sempre sentiu. Mesmo nos momentos mais eufóricos de seu primeiro disco, a felicidade vinha apenas como um raio de sol no horizonte.

Contemplativo e cético, o vocalista e guitarrista Marcelo Camelo caía na triste constatação dos poetas românticos, de que a melancolia é o estado natural do ser humano. Pintava-se de palhaço para fazer os outros rirem, enquanto, por dentro, estava chorando. Assim o conjunto se sentia em meio ao turbilhão Anna Júlia, o hit jovem guarda que catapultou o grupo de suas raízes underground ao panteão de plástico do mercadão pop. Enquanto todos cantavam sorrindo a plenos pulmões, o grupo se sentia preso à uma música que não representava o todo de seu trabalho, numa encruzilhada clássica na história da música popular: ser ídolos de multidões ou queridos de poucos. Entre um caminho e outro, o grupo preferiu trilhar seu próprio rumo, abrindo a terceira via à foice. Para isso, se reuniram em um sítio no interior do Rio de Janeiro, onde começaram a calibrar o que se tornaria o disco que está saindo. A saída do baixista Patrick Laplan foi suprimida pela participação especial do amigo Kassin (do Acabou La Tequila, influência confessa do grupo) e a produção ficou por conta do cobra Chico Neves. Curtindo o disco como pinga de alambique, retrocederam a um tempo em que a bossa nova não havia transformado o samba em ritmo pré-programado de teclado. E voltaram para o ano 2001 como uma banda de samba. Como se o rótulo "MPB" não existisse, como se fazer samba fosse tão natural a qualquer brasileiro, independente de sua faixa etária, classe social ou formação acadêmica. É um exercício de recriação da genealogia do rock brasileiro: Noel Rosa é o nosso Robert Johnson, Chico Buarque nosso Bob Dylan, Cartola nosso Muddy Waters, Beth Carvalho uma Aretha Franklin, Jair Rodrigues um James Brown e por aí vai?

Sim, Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante (voz e guitarra), Bruno Medina (teclados) e Rodrigo Barba (bateria) formam uma banda de samba, apesar de virem da classe média, do curso superior, da pele branca e da formação baixo-teclado-guitarra-e-bateria. Em seu segundo álbum, eles mergulham ainda mais fundo no fundo de quintal, temperando o sambão com doses de hardcore,rock alternativo, levadas latinas, um microponto de psicodelia beatle e compassos mutantes. Deixam de lado o astral Red Hot Chili Peppers/Mr. Bungle que o primeiro disco transparecia e se devotam à melodia, cantando o fim da festa incessante que eles mesmos eram até então.

Mas se o tom do disco remete à quarta-feira de cinzas, ele também vê o nascer do novo século como um fim de carnaval. Mas em vez de correr atrás de recursos tecnológicos e futurísticos para falar sobre a aurora do novo tempo, eles voltam ao começo do século 20, usando elementos das primeiras décadas dos anos 1900 como fantasia. Há referências de modernismo, vaudeville, citações em francês, bailes de máscaras, maxixe, atenção aos detalhes, literatura, eles colocam o Bloco do Eu Sozinho na rua em busca da mesma ingenuidade frívola dos primeiros anos do século passado. Procuram,assim, fugir da ironia que tentou, de todo jeito, encaixar o grupo em rótulos esdrúxulos e diferentes comportamentos.

O excesso de referências musicais deixou de ser um simples problema de arranjos. Quase todas as faixas do disco atravessam várias fases, a estrutura das canções (mais complexas que as do primeiro disco, hoje vistas pela banda como "um rascunho") alcança diferentes pontos de vista, sem dificuldade ou forçar a barra. Como o Clash fez no clássico London Calling, eles contam a sua versão da história transformando tudo em samba(enquanto o grupo inglês pulverizava tudo em punk) ­ a citação (incidental?)que o trombone faz no primeiro som ouvido no disco remete imediatamente à introdução instrumental da faixa-título do disco de 1979. Seja qual for o território musical, a linguagem melancólica e o batuque do samba estão ali, onipresentes. Não é à toa que a editora de músicas do grupo seja chamada Zé Pereira.

Mas por baixo das letras tristes e contemplativas, os Hermanos aproveitam para espetar quem os incomoda. Os "vocês" espalhados pelo belíssimo encarte podem se referir ao fã, à crítica, ao mercado, a certas publicações (há citações ainda mais explícitas, embora maquiadas como letra de música), ao público que comprou o grupo só por causa de Anna Júlia, ao seguidor fiel dos tempos do underground carioca. A letra de Cadê teu Suin-?, uma brincadeira com sílabas, contém desde a rixa não declarada entre Tom Zé e Caetano Veloso, cobranças de diretores artísticos, desculpas esfarrapadas, críticas à dita "nova MPB", o peso do refrão exigido? O grupo passa adiante ­ "Eu que controlo o meu guidon" ­ sem dar ouvidos a quem ladra. O disco termina convicto de que eles fizeram o melhor que podiam ao não repetir o primeiro álbum. "Quero não saber de cor, também", canta Camelo entre as cordas e um surdo de escola de samba, "pra que minha vida siga adiante".

Alexandre Matias Julho/2001"

Um abraço a todos!

19 novembro, 2005

Os óim do meu amor

Não tenho postado muito, estou completamente atribulado com minha dissertação. Mas como algumas pessoas me disseram que não apenas liam o que eu aqui escrevia, como também acompanhavam periodicamente, resolvi deixar alguma coisa.

Outro dia lembrava de algumas músicas regionais. E como não lembrar daquela banda "duma cidade chamada Arcoverde", o Cordel do Fogo Encantado? União de música, teatro poesia... Lindo! Para os mais desavisados a MTV acabou de lançar um DVD deles ao vivo. Pelo pouco que pude ver ficou muito bom, vale a pena.

Mas, no meu diário musical, a música que ficou gravada foi "Os óim do meu amor". Acho uma maravilha pela simplicidade. Ela é mais ou menos assim:

Eu nunca mais eu vi
Os oím do meu amor
Nunca mais eu vi
Os oím dela brilhar
Nunca mais eu vi
Os oím do meu amor
São dois jarrinho de flor
E todo mundo quer cheirar

Claro que vou deixá-la disponível aqui:



Outra coisa me perturbou um pouco essa semana. Estive pensando... Normalmente a partícula "re", no prefixo de uma palavra significa uma repetição da ação contida no seu sufixo. Por exemplo: pensar e repensar, fazer e refazer, tomar e retomar. Em um caso, no entanto, essa "repetição da ação" destrói a idéia original. Sentir e ressentir. Quando é que o sentimento se torna ressentimento? Até procurei no dicionário etimológico para ver se esse prefixo "re" teria, nesse caso, uma função diferente, mas não fui bem sucedido.

Então, por que sentir de novo é diferente de ressentir? Quando essa linha é cruzada? Não seria melhor que resentimento fosse quando a gente sentisse demais, sentisse novamente? Imagine o que seria um amor ressentido? "Hoje ressenti o amor que outrora tive". Muito mais bonito que nossa idéia corrente. "Ontem tive um amor e hoje é só ressentimento".

Por que não mudamos isso? Tente hoje ressentir algo que se transformou em ressentimento. Re-sinta sua felicidade, re-sinta as coisas boas, e re-sinta seu amor. Talvez possamos ser um pouco mais felizes, não?

Depois de devaneios loucos deixo mais uma do Cordel que eu achei na internet. Essa não existe em CD algum, e, pelo que vi, também não foi para o DVD. É uma poesia de cordel chamada "Jesus preso". É muito boa, confira aí!


Um abraço a todos!
Até a vista!

09 novembro, 2005

O mundo é um moinho


Salve Cartola!

Hoje consegui algumas músicas desse compositor que consegue deixar qualquer um de queixo caído e cabelo em pé. Uma, no entanto, há muito eu não ouvia e gostei de ouvir na voz dele. "O mundo é um moinho". Olhem só a letra:


O mundo é um moinho
- Cartola -

Ainda é cedo amor,
mal começaste a conhecer a vida,
já anuncias a hora da partida,
sem saber mesmo o rumo que irás tomar.

Preste atenção querida,
embora eu saiba que estás resolvida,
em cada esquina cai um pouco a tua vida,
em pouco tempo não serás mais o que és.

Ouça-me bem amor,
preste atenção, o mundo é um moinho,
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,
vai reduzir as ilusões à pó.

Muita atenção querida,
de cada amor tu herdarás só o cinismo,
quando notares estais a beira do abismo,
abismo que cavastes com teus pés.


São letras pesadas, claro. Mas cheias de sentimento!
Sendo bonzinho de novo, para permitir que vocês ouçam esse clássico, vou deixar o link de download:


Instruções:
1) Clique no link
2) Desça até o fim da página
3) Clique em "free"
4) Outra página se abrirá, também desça até o final
5) O nome do arquivo estará em negrito. Se você reparar um pouco depois haverá uma espécie de contagem regressiva (costuma demorar uns 40 segs), assim que ela terminar o link estará liberado e você pode baixar a música sem problemas. Não demorará muito porque os arquivos são relativamente pequenos.


Saudações!

04 novembro, 2005

Extra, extra: mais uma coincidência de VEJA


Eu me impressiono semanalmente, já disse. A VEJA é o melhor passatempo que eu consegui nos últimos meses. A última: Não sei se vocês repararam naquela "importante investigação" que a VEJA fez para descobrir que a saga comunista não acabou e que Fidel, inspirado em Lênin e Trótsky, queria financiar a revolução mundial enviando dólares (?) para a campanha de Lula. Pois bem, vejam como nada é por acaso. O dinheiro estava escondido em caixas de uísque e rum, segundo o que foi dito. Lembram do nome do aeroporto em Campinas onde a transação foi efetuada? VIRACOPOS. Isso mesmo, caixas de bebidas em Viracopos!

Agora eu me pergunto o que será que podem ter dito aos "investigadores de Veja". Na reportagem eles mesmos disseram que Vladimir Poleto teria pedido para que a revista não fizesse uso do conteúdo da entrevista porque ele teria caído em "exacerbamento de posições" depois de ter ingerido "diversos copos de chope".

A conversa:

"- Seu repórter [glup], o negócio é o seguinte o Cuba (se referindo ao amigo cubano que estava no Brasil) mandou pra gente três caixas de bebida. Dois 'jonninhos', um red e um black, [glup] e mais uma caixa de Havana Club. Êta rum bão! hehe. Entendeu, seu repórter? Rum-bão? hehe.

- Mas Poleto, o que havia nessas caixas?

- Pelo preço?? Devia estar cheio de dólar! Nunca vi um troçim tão caro! Devia custar uns três milhão!! [glup] Tá achando o quê? Esse negócio de campanha não é barato não!! Você acha que a gente vai comemorar com pouca coisa? hehe. A sorte é que o Fidel é amigo do Lula e financiou essa "campanha", entendeu? "Campanha"? hehe.

[pausa, o repórter quieto]

- Odeio gente sóbria [glup] nem têm senso de humor. Vou embora!

Meses depois, a capa de Veja: "Os dólares de Cuba para a campanha de Lula".

- Repórter filha-da-puta! Eu que bebo e ele que fala merda! - Pensou Vladimir."


Rum, Viracopos... Entendeu? Entendeu?

Vamos ver qual vai ser a da semana que vem!

01 novembro, 2005

7: o número cabalístico de Veja



Já deixo claro: sou daqueles que têm a opinião de que se você leu na Veja, o azar é todo seu! Não me venha com argumento de autoridade porque, para mim, esse tablóide disfarçado não tem autoridade nenhuma. Na verdade, para ser sincero, ele tem autoridade às avessas, se está escrito lá é porque a verdade é o oposto!

Agora que estou de volta morando com minha família (e minha irmã insiste em assinar esse gibi!), por vezes eu tenho o desprazer de me deparar com um exemplar. Dessa vez algo me chamou a atenção: o número cabalístico de Veja.

Não sei se eles jogaram nos búzios, leram nas cartas, ou fizeram algum tipo de análise numerológica, mas uma verdade tem que ser dita: eles encontraram o número da segurança pública, o 7.

Primeiro foram 7 razões para dizer não ao referendo. Eu já fiquei impressionado! A Veja saiu de sua pseudo-dita-imparcialidade para assumir uma posição. Mas era óbvio que isso não iria provocar maiores discussões entre seus leitores. Afinal, seu público alvo era o mais passível de ser manipulado pela campanha do NÃO. Eles devem ter achado tão óbvio que essa era a "resposta correta" que nem se deram conta que uma revista que se diz neutra não poderia assumir posições.

Tem horas que a sabedoria popular realmente me surpreende. Dizem que 7 é o número do mentiroso e nesse caso, se é, a Veja quis mostrar a que veio. Na semana passada outra capa "7 soluções TESTADAS e APROVADAS contra o crime" (grifo nosso). Claro! Se eles já disseram que esse negócio de proibição do comércio de armas e munição não daria em nada, que isso não resolveria o problema da segurança pública, então eles em sua enorme bondade e sabedoria tinham que nos dar as soluções para isso. E elas viriam em número de 7!

Eu grifei o TESTADAS e APROVADAS porque não havia me dado conta disso até escrever aqui o título da capa. Testadas por quem? Aprovadas por quem? (E isso porque eu nem cheguei a dizer que soluções eram essas...). Confesso que só de olhar a capa e brincar com o número cabalístico já era suficiente para mim. Eu estava com medo de abrir a revista de ver as "tais" soluções, mas como eu resolvi escrever sobre isso decidi dar uma olhada.

A primeira: Meio senso comum. "Dar opções de lazer e profissão aos jovens pobres". De tão senso comum eu já teria lá minhas dúvidas. Claro que serei um pouco forçado no que vou falar, mas serve de "advocacia do diabo". Será que o problema é só falta de lazer e trabalho? Será que um adolescente que vê todas as propagandas diretas e indiretas de todos os produtos modernos e caros e também sente desejo de consumi-los, tendo a possibilidade de ganhar bastante dinheiro com a criminalidade, se contentará em ganhar 300 reais para trabalhar 8 ou mais horas do seu dia? Será que só isso é uma solução "testada" e "aprovada". Mas, como disse, forçei um pouco. Passemos para a próxima.

A segunda: "Prender o crimonoso e deixá-lo preso". Para isso eu invoco a frase de Raduan Nassar e digo que na minha descrença te devolvo a existência só para dizer "DEUS QUE ME DEFENDA!". Acho que eu nem preciso continuar com as outras cinco porque, como disse, a Veja mostrou a que veio. É um pouco de conservadorismo demais achar que a solução para todos os problemas é deixar os "bandidos" (conceito resgatado pela campanha do NÃO para representar todo o mal, os malfeitores, o "dark side", mas que não trata da história de vida da PESSOA que comete algum crime, a sua motivação, o que está por detrás, etc) trancafiados por toda a vida para reduzir a criminalidade. A Veja chega a dar a entender que trinta anos na cadeia é pouco. É pouco imaginar que uma pessoa de 20 anos sairá de lá com 50 e que nada fará diferença. Confesso que hoje estou meio preguiçoso para argumentar, mas de tudo que vi e ouvi sobre as penas, a única certeza que há é que tudo, menos a reclusão, funciona para reduzir a reincidência. Mas será que essa não é só mais uma mensagem subliminar para os novos e desejados referendos? A favor da prisão perpétua, etc... Vamos ver o que o futuro nos reserva...

Se eles tivessem colocado essa grande idéia por último, eu juro que teria lido as outras com mais paciência, mas é a jogada deles: quem não gosta da revista para de ler logo e não tem muita voz para falar, e para os "intelectuais de Veja", a ilustrada classe média do Brasil, isso ainda serve de motivo para continuar lendo.

As outras testadas e aprovadas soluções são argumentos mais fajutos impossíveis. "Aumentar a eficiência da justiça", "Combater o consumo de drogas", "Acabar com a corrupção policial". Ora, acho que até meus cachorros sabem disso, agora, como fazê-lo? Que soluções você tem? Como aumentar a eficiência da justiça, como acabar com a corrupção? Talvez com a permissão do comércio de armas e munições... Imagino um dia chegando no Tribunal, colocando o "tresoitão" na cara do juiz e dizendo "Ô seu velhote, se não for eficiente eu te mato!!!"

São as soluções "Veja" para a segurança pública...

Vamos ver mais o que teremos em número de 7...

19 outubro, 2005

Pode(m) se preparar porque eu tô voltando!



Acho que no último post não ficou muito claro, mas agora...

Pode(m) se preparar porque eu tô voltando (e não tarda muito)!

Tô voltando...


Acho que essa música agora é oportuna. Vamos lá, composicão de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós. Ainda estou querendo descobrir os artistas que a gravaram. Até agora só descobri o Grupo Molejo e a Simone (e desses dois, deus que me defenda!!), e o pior: acho que só eles gravaram mesmo. Por isso, inclusive, não deixo aqui o link. Vou procurar mais, se não achar me rendo à Simone mesmo porque a música é boa!


Tô voltando

Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto
Eu to voltando...
Põe meia dúzia de brahma pra gelar, muda a roupa de cama
Eu to voltando...
Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
Porque eu to voltando!
Dá uma geral, faz um bom defumador, enche a casa de flor
Que eu to voltando...
Pega uma praia, aproveita, ta calor, vai pegando uma cor
Que eu to voltando...
Faz um cabelo bonito pra eu notar que eu só quero mesmo é
Despentear
Quero te agarrar, pode se preparar porque eu to voltando
Põe pra tocar na vitrola aquele som, estréia uma camisola
Eu to voltando...
Dá folga pra empregada, manda a criançada pra casa da avó
Que eu to voltando...
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero lá lá lá ia, lá iá lá lá iá la ia,
Porque eu to voltando!!!!

11 outubro, 2005

Nelson Cavaquinho


Agradecendo a contribuição do Hilton, da comunidade "Samba de raiz" no orkut, disponibilizo aqui um vinil inteiro do Nelson Cavaquinho, vale a pena conferir. Os links são do RapidShare e do MyTempDir, e as instruções de como baixar estão dois ou três posts atrás, só conferir. Vai o disco:

A flor e o espinho

Caminhando

Juízo final

Eu e as flores

Luz Negra

Degraus da vida

Rugas

Quando eu me chamar saudade

Capa frontal do vinil
Façam bom proveito!
Até o próximo post!

10 outubro, 2005

Mais uma do mestre


O uísque é o cão engarrafado. Definitivamente, o melhor amigo do homem.
Vinícius de Moraes

07 outubro, 2005

Os Demônios

Deleitem-se com Dostoiévski.

"(...)
- Haverá toda liberdade quando for indiferente viver ou não viver. Eis o objetivo de tudo.
- Objetivo? Neste caso é possível que ninguém queira viver?
- Ninguém - pronunciou de modo categórico.
- O homem teme a morte porque ama a vida, eis o meu entendimento - observei -, e assim a natureza ordenou.
- Isso é vil e aí está todo o engano! - os olhos dele brilharam. - A vida é dor, a vida é medo, e o homem é um infeliz. Hoje tudo é dor e medo. Hoje o homem ama a vida porque ama a dor e o medo. E foi assim que fizeram. Agora a vida se apresenta como dor e medo, e nisso está todo o engano. Hoje o homem não é ainda aquele homem. Haverá um novo homem, feliz e altivo. Aquele para quem for indierente viver ou não viver será o novo homem. Quem vencer a dor e medo, esse mesmo será Deus. E o outro Deus não exisitirá.
- Então, a seu ver o outro Deus existe mesmo?
- Não existe, mas ele existe. Na pedra não existe dor, mas no medo da pedra existe dor. Deus é a dor do medo da morte. Quem vencer a dor e o medo se tornará Deus. Então haverá uma nova vida, então haverá um novo homem, tudo novo... Então a história será dividida em duas partes: do gorila à destruição de Deus e da destruição de Deus...
(...)
- (...) Aquele que se matar apenas para matar o medo imediatamente se tornará Deus."

06 outubro, 2005

De boteco em boteco



Ontem eu postei aqui dizendo que havia descoberto a cara desse blog: talvez um "diário musical". Dei minhas razões para concordar ou não com isso. Pois bem, hoje descobri uma ferramenta interessante para me ajudar nesse intento (ou talvez nesse acidente), o RapidShare. Esse é um site que aceita uploads de arquivos e depois te dá um link que te permite compartilhá-lo com quem você queira.

Descoberta essa ferramenta, a partir de hoje, sempre que eu quiser falar de uma música, se eu a tiver em formato digital, também a disponibilizarei aqui. É uma forma de passar, de verdade, o meu sentimento com relação a ela. E prestem atenção porque eu começarei a disponibilizar, aos poucos, as músicas já citadas (eu atualizarei os posts antigos).

A música de hoje é uma das minhas (re)descobertas no terreno do samba antigo. Ontem conversava com a Laila e acabei confundindo Nelson Cavaquinho com Nelson Sargento. Por acaso, achei hoje uma música do segundo que é muito minha cara (e também do meu grande amigo Erasto Neto). "De boteco em boteco". Olha aí, vai ouvindo:

De boteco em boteco (Nelson Sargento)

Vou de boteco em boteco
Bebendo a valer
Na ânsia de esconder as dores do meu coração

Conselhos não adiantam estou no final
Perdi o elã (?) e perdi a moral
Meu caso não tem solução

Eu bebo demais pro meu tamanho
Arranjo brigas e sempre apanho
E isto me faz infeliz

Entro no boteco para afogar a alma
As garrafas então batem palmas
Me embriago, elas pedem bis

Vale citar aqui a frase que estva no site onde eu peguei essa letra. "Quando o boêmio mais velho fala, o mais novo aquieta o bico. E assim nasce o respeito". Muito boa!

Por falar em boêmio, lembrei da Bohemia Weiss que está nessa foto. Agradecendo a companhia do caro colega Samuel que nesse dia me acompanhou de "boteco em boteco bebendo a valer", mas que tava escondendo as dores do coração era eu mesmo! Êta dia bão foi esse!

Agora o link prometido, né!

http://rapidshare.de/files/5486525/Nelson_Sargento_-_De_Boteco_em_Boteco.mp3.html

Instruções:
1) Clique no link
2) Desça até o fim da página
3) Clique em "free"
4) Outra página se abrirá, também desça até o final
5) O nome do arquivo estará em negrito. Se você reparar um pouco depois haverá uma espécie de contagem regressiva (costuma demorar uns 40 segs), assim que ela terminar o link estará liberado e você pode baixar a música sem problemas. Não demorará muito porque os arquivos são relativamente pequenos.

Um abraço!

05 outubro, 2005

A luz negra de um destino cruel

Hoje eu acabei percebendo a cara que esse blog tem tomado. É um diário musical. Mas isso, no meu caso, era quase óbvio. Primeiro porque a música é uma parte integrante de mim, do que sou, e também porque a música diz muito do que sentimos. Ou você acha que "aquela música" faz sentido num dia e não faz no outro por acaso? A música está dentro de nós e coloca pra fora o que queremos esconder. É lindo quando ouvimos uma música e, de repente, ela faz um sentido que nunca havia feito, bate lá dentro, e você se pega batucando com o que pode e dá aquele pequeno sorriso de canto de boca (ou aquele suspiro profundo...).

Outro dia eu me peguei assim ouvindo uma música conhecida como "breganejo". E essa, não tenha dúvidas, era brega mesmo, não tava no limbo não. Mas fazer o quê? Se o amor (e ainda mais a dor de cotovelo) é brega, nada melhor que uma música, brega!

Voltando ao que eu dizia, percebi que muitos dos posts que aqui coloquei continham músicas, quando não eram SOMENTE músicas. Num primeiro momento não gostei disso. Queria textos! Pensamentos! Mas depois me convenci que a música fazia parte disso também. Nada melhor do qeu compartilhar com os outros uma música que você gostou, uma música que significou algo pra você naquele dia. E também, como disse alguns posts atrás, se esse é meu relicário escondido, é bom também, dias depois, ver como você estava naquele dia e se dar conta de que está tudo diferente.

Ultimamente, eu passo por uma fase "samba". Eu gosto demais, e tenho dado um jeito de ouvir os clássicos, os antigos, os "grandes arquitetos da música brasileira" como Ataulfo Alves e Nelson Cavaquinho. Mas foi uma música deste último que me bateu como um chute no peito (e olha que quando fiz capoeira tomei um chute desses no meu batizado e eu sei bem o que é!). "Luz Negra". A culpa é do meu primo-irmão Raphael. Foi ele que uma vez colocou uma frase dela no seu MSN e me interessou, só que ontem, em especial, ela me veio à cabeça e eu a procurei. Uma música linda, que acabou ficando mais conhecida pela voz de Cazuza, mas insuperável em sua versão original, com aquela voz de "vitrola antiga" (como costumo falar dos sambistas-velha-guarda).

Quero também registrar aqui mais uma coisa que descobri esses dias. Se me pergutarem qual foi o melhor CD de 2004 com certeza eu direi que foi "Eu me transformo em outras" da Zélia Duncan. ela gravou tanta coisa boa, tantos sambas, tantos choros, com arranjos fabulosos e aquela voz maravilhosa dela (que rouca combina mais ainda com esse estilo musical). É óbvio que para ser tão bom tinha que ser independente. Tem até uma música (que tocou bastante em rádio) do Luiz Tatit, "Capitu", muito boa também.

Nesse disco duas músicas em especial fizeram minha cabeça, mas eu não direi aqui, ainda pretendo usá-las num momento oportuno.

Deixo agora a música do Nelson Cavaquinho. Um abraço!

Luz Negra
(Nelson Cavaquinho - Amâncio Cardoso)

Sempre só
eu vivo procurando alguém
que sofra como eu também
mas não consigo achar ninguém

Sempre só
e a vida vai seguindo assim
não tenho quem tem dó de mim
estou chegando ao fim

A luz negra de um destino cruel
ilumina o teatro sem cor
onde eu desempenho o papel
de palhaço do amor


(essa última estrofe é um disparo no coração e um disparar de coração.)
Link no rapidshare.de
Infelizmente só consegui a versão do Cazuza. Apesar de boa, prefiro a do próprio Nelson Cavaquinho.

29 setembro, 2005

Festival de Música (parte 2)


O Festival Cultura de Música Brasileira acabou. Coincidentemente as duas músicas que eu citei (e inclusive deixei as letras) foram respectivamente primeiro e segundo lugar. Uma outra música que eu estava querendo ouvir (e ainda não havia conseguido) composta pelo Pedro Luís (o da Parede) ficou em terceiro, muito boa, diga-se de passagem.

O resultavo final foi:
1o Lugar - Contabilidade (Danilo Moraes e Ricardo Téperman) (que também levou o prêmio de melhor arranjo)
2o Lugar - Achou! (Dante Ozetti e Luis Tatit)
3o Lugar - Girando na Renda (Pedro Luis, Sérgio Paes e Flávio Guimarães)

Ainda "Strartrek de Tacape" e "Cossorotiba" levaram o prêmio de melhores intérpretes (que foram Marcelo Pretto e Regina Jardim) e "Haicai Baião" a melhor letra.

Os vídeos podem ser encontrados no endereço http://www2.tvcultura.com.br/festivalcultura/videos.asp

Deixo a música:

Haicai Baião
Renato Motha e Valter Braga

Fecha o tempo no sertão
é chuva vindo
Um rai cai, um clarão

Trovão e tambor
No céu, no roçado zabumbam
O santo baxô

Manhã de água e cor
Até do outro lado do mundo
O chão fulorô

27 setembro, 2005

O preço que se paga às vezes é alto demais...

Esse refúgio de pensamentos desvairados já completou seu primeiro mês de aniversário e eu nem falei nada. Não me senti mal com isso, há tempos eu não posto, mas e daí? Não sou obrigado a fazê-lo... E isso tem um motivo principal: ninguém lê! Esse blog virou meu diário, meu relicário, onde posso guardar o que quiser... O mais interessante que, por mais que seja público (e bem público!) eu sinto como se ele estivesse guardado à sete chaves. Parece um daqueles folhetos que você nem olha antes de jogá-lo fora. A diferença é que aqui, pelo menos, não estou matando nenhuma árvore pra poder escrever.

Aí você me pergunta: "Pra que continuar escrevendo?". Eu respondo primeiro perguntando "quem é esse 'você'?" Não é ninguém, é meu amigo imaginário, é meu alter ego, Mr. Hyde, ou um gnomo que pode passar por aqui... Mais do que isso, no entanto, ele é sempre a pessoa que eu quero que esteja lendo o que aqui escrevo. Sempre penso em uma pessoa e eu sei que na maior parte das vezes ela tem o endereço (e mesmo que não tenha eu dou um jeito d'ela descobrir). Digitar cada uma dessas letras assim fica diferente, eu me sinto aliviado, parece que eu realmente estou falando o que quero (e o que eu não quero ou teria medo de dizer).

Eu também aproveito pra exorcizar meus demônios. Eu gosto de fazer isso escrevendo, e aqui no blog eu tenho conseguido melhor que no meu antigo diário. Cada um dos chatos capetinhas que me acompanham vão um a um ficando pelo caminho, pendurados em letras, esquivados atrás dos sineis de pontuação ou aparentes no que ali está sendo dito.

Ontem eu escrevi um pequeno cartão, que aqui reproduzo porque achei interessante:
"Os antigos constumavam plantar flores sobre os campos de batalha, mas não pra esquecer o que ali havia acontecido. Os espinhos lembravam as espadas. O vermelho, o sangue. Todavia, o perfume que elas exalavam, e o colorido que elas exibiam serviam pra mostrar que algo belo ainda poderia nascer daquele solo, que depois das tempestades de inverno, sempre vêm as brisas da primavera."

Pequeno, porém com muito significado pra mim, e pra qualquer um que queira interpretar.

Como hoje estamos numa "sessão de descarrego" ainda vou deixar aqui uma música que me tocou de uma forma pesada enquanto eu estudava. "O Preço".

"O Preço"
Humberto Gessinger

O preço que se paga às vezes é alto demais
É alta madrugada, já é tarde demais
Pra pedir perdão...Pra fingir que não foi mal
Uma luz se apaga no prédio em frente ao meu
"sempre em frente" foi o conselho que ela me deu
Sem me avisar que iria ficar pra trás
E agora eu pago meus pecados
Por ter acreditado que só se vive uma vez
Pensei que era liberdade
Mas, naverdade, eram as grades da prisão
O preço que se paga às vezes é alto demais
É alta madrugada, já é tarde de mais
Mais uma luz se apaga no prédio em frente ao meu
É a última janela iluminada
Nada de anormal... Amanhã ela vai voltar
Enquanto isso eu pago meus pecados
Por ter acreditado que só se vive uma vez
Pensei que era liberdade
Mas, na verdade, me enganei outra vez
Eu pago meus pecados
Por ter acreditado que só se vive uma vez
Pensei que era liberdade
Mas, na verdade, era só solidão

Como eu já comentei essa letra hoje, não irei fazê-lo novamente.

Um abraço aos amigos imaginários!

04 setembro, 2005

Festival Cultura de Música Brasileira


A TV Cultura, numa louvável inciativa, está promovendo um festival de música. Apesar de ter minhas ressalvas quanto ao fato d'ele tentar resgatar a idéia dos antigos festivais (que infelizmente não pude presenciar), o fato de reunir tão talentosos músicos (e quase todos desconhecidos) e passar na televisão para todo Brasil já vale por si só.

Acho que é um problema tentar resgatar aquele ideal dos antigos festivais, aquilo não acontece mais, ficou num belo passado. É o mesmo que tentar resgatar Woodstock. É possível até fazer um show com as mesmas proporções, mas o "espírito" da época não volta. Só a falta dos hippies e da "maryjuana" liberada já seria uma perda por si só. E no Brasil, a falta da contestação, dos estudantes organizados, a ditadura, já faz o festival perder a graça, pois aí é um festival só de música.

Então, já que é só um festival de música (e não tomem esse "só" como pejorativo) vamos aproveitá-lo! Concordo com Lenine ao dizer que em primeiro lugar ele acha que não deveria haver uma seleção DA melhor música, de UM só ganhador. Podiam selecionar vários, 15, talvez 20, e fazer um grande CD, um DVD, divulgar, produzir, publicar, dar notoriedade, fazer com que o grande público tenha acesso às boas coisas da música brasileira.

Agora tenho que voltar pro "momento elogio". Tem muita coisa boa rolando por lá. Algumas letras fantásticas, outras músicas fabulosas, letras e músicas! Tudo! E o mais interessante (e ao mesmo tempo triste) é que ao ver as biografias dos participantes fica notório que eles não são marinheiros de primeira viagem, estão há anos produzindo boa música (mas é o FAMA que está na quarta ou quinta edição, nem sei mais quantas).

Acho que vale à pena dar uma olhada. TV Cultura: quartas-feiras e com reprise no domingo. E ainda há um site (http://www2.tvcultura.com.br/festivalcultura/index.asp). No menu "vídeos" é possível ver as apresentações e ler as letras.

Gostei bastante de duas músicas. Foram as duas que gostei de ouvir hoje, não necessariamente são as que achei as melhores tecnicamente, foi sentimento (mais um motivo para não haver disputa, é difícil selecionar). Com certeza, no entanto, elas fariam parte do meu CD!

As duas, para mim, são um composto de letra e música, gosto das letras, gosto das músicas, mas a união das duas as deixa melhores. A primeira chama-se "Contabilidade" e a segunda "Achou!", deixa-las-ei por aqui antes que saiam do ar na página da cultura.

Contabilidade
autores e intérpretes: Danilo Moraes e Ricardo Teperman

Felicidade se conta com conta-gotas
Razão inversa das lágrimas que revertemos
Parco retorno de um investimento tão incerto
Que é de se pensar se vale a pena

Igualdade se conta no contracheque
Acionistas espocando a silibina
Especulando tanto que arde
A alta do preço do preservativo de baixa qualidade

Fraternidade se conta em genocídios
Homens fardados em missões saneadoras
E as estatísticas em frenética hemorragia
Manchando os aventais dos eleitores

Na nossa era
Na nossa era
Os varões exibem vis calculadoras
Na nossa era
Na nossa era
Carros, cartões de crédito, metralhadoras

Um milhão a mais um milhão a menos
Um milhão a mais um milhão a menos
Dez milhões a mais dez milhões a menos
Cem milhões a mais cem milhões a menos

Achou!
Intérprete: Ceumar
Autores: Dante Ozetti e Luis Tatit

Investir
É cultivar o amor
Se despir
É ativar

Resistir
É atuar o amor
Insistir
É saturar

Aderir
É estar com seu amor
Adorar
É superstar

Aplaudir
Até sentindo dor
É amar

Quem puder
Viver um grande amor
Verá

Consentir
É educar o amor
Seduzir
É cutucar

Amarei!
É conjugar o amor
Não amei!
É enxugar

Avançar
É conquistar o amor
Amansar
É como está

Como estou
Com muito amor pra dar
Eu dou!

Quem estiver
Atrás de um grande amor
Achou!

Fico por aqui, quem tiver a oportunidade de ver o final do festival acredito que não se arrependerá!

(Carta aos possíveis leitores: desculpem-me pela visualização do blog, mas nem sempre o site mantém a formatação da forma como eu queria.)

03 setembro, 2005

The blower's daughter


"The blower's daughter", música de Damien Rice, faz parte da trilha sonora de "Closer" e está no álbum "O" do próprio compositor. Música meio pesada, eu achei. Tão pesada quanto o filme. De fato não foi à toa que ela é praticamente a única música que o diretor quis que fosse ouvida, ela é uma cena por si só. Ei-la:

The blower's daughter
Damien Rice

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time

And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time

And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...

'Til I find somebody new. (???)

02 setembro, 2005

Só uma rapidinha!


Várias CPIs rolando, várias falcatruas aparecendo, mesalão, mesadão, pastelão (e já é uma comédia por si só. Seria engraçado se não fosse triste).

Mas enquanto toda a população e imprensa se mobilizam por conta da corrupção, alguns parlamentares não têm pudor em dizer que, nos bastidores do congresso (com minúscula de propósito), a preocupação mesmo é com a "lista negra (ou sombria?) de JEANY MARY CORNER".

Só o nome já seriviria de piada, Mary Corner, ou "Maria da Esquina", ou "Maria Cantinho". Valha me Deus, só em Brasília pra isso acontecer. Suas "hostess" (porque, claro, uma Mary Corner não ofereceria uma mera acompanhante) eram as grandes atrações das festas do parlamento. Eles podem não ser filhos da puta, mas, pelo menos, amigos dela eram!

Primeiras damas preocupadíssimas e desesperados parlamentares que ao mesmo tempo que são a favor da "família brasileira", contra o aborto, contra união homoafetiva, contra pesquisas com células-tronco, não podem ser descobertos com prostitutas (ou isso seria mais uma comprovação do tamanho do machismo?). Disse que só o nome serviria de piada, mas a piada mesmo vem agora. Só uma rapidinha:

Numa roda, parlamentares conversam sobre a "tal" lista de Jeany Mary Corner:
- Aqui, vocês sabem que parece que está rolando por aí até uma foto de um deputado nú?
- Ainda bem que é deputado! - diz um aliviado senador.
- Mas estava nú mesmo? Não estava usando nada? - indaga um preocupado deputado "sadô".
- Dizem que estava completamente nú e fumando um charuto.
- Que bom! Graças a Deus eu não fumo charuto! - desabafa um agora aliviado parlamentar da bancada católica, contra o fumo e oculto apreciador da lingerie Victoria's Secret (para ele!).

Parece piada mas é sério! Acredite se quiser (ou se puder)!
Só duas dúvidas: sobre mensalão também inside Imposto de Renda? E quem carrega na cueca também paga CPMF?

Te encontro na próxima (Maria da) esquina!

26 agosto, 2005

Vai ouvindo, vai ouvindo


Volto a escrever depois de uns atribulados dias. Bem, dissertação é coisa séria (pelo menos a faço ser). Escrevo pra parar de escrever... Mas estou ainda na busca de inspiração. Pra tudo! E a inspiração vem de onde? Perguntariam Ney Matogrosso e seu amigo Pedro Luis.
E como ter inspiração nos dias de hoje? Vou deixar um pequeno "clipping" de notícias. Tirem suas próprias conclusões.
Vão ouvindo, vão ouvindo...
1) Crise de medicamentos: O governo não tem dinheiro pra comprar os remédios, muito menos a população. Mas e ai? Quem ganha com isso? As funerárias e a indústria farmacêutica.
Custo do remédio pra hepatite C => R$ 3,00 (três reais)
Preço médio de venda do remédio pra hepatite C => R$ 1000,00 (mil reais)
2) Os 10% mais ricos têm 32 vezes mais dinheiro que os 40% mais pobres no Brasil, segundo as últimas estatísticas.
3) Até agora só garanto que eu não tenha recebido mensalão. E mesmo assim vai que eu recebi num dia em que fiquei bêbado e perdi a memória?
4) Grande estréia do cinema catarinense da última semana: MADAGASCAR (isso sim é lançamento...)
Já começou com briga. Um juiz probibiu a sua exibição em Joinville porque o dito fazia menção a uma "balinha". Muito bom... Estou imaginando daqui uns anos... Proibirão meu filho de cantar a clássica música do colelhinho. "De olhos vermelhos?? Maconheiro", "De pêlo branquinho? Racismo! Como não contemplar a diversidade?", "Comer uma cenoura com casca e tudo? Pouca vergonha!", "Se ficar barrigudo tem que casar!"
--------------------------------
Segunda-feira consegui ir a uma apresentação do Paulo Freire. Na realidade o show ficou prejudicado, falaram o horário errado... Ouvi duas músicas... Mas em compensação eu consegui conversar com ele depois por bastante tempo, foi bem legal, e acabei comprando dois CD's. Já pensou em viola com distorção? Heavy caipira? Jazz com viola de cocho? Pois é, "Vai ouvindo - Paulo Freire Trio". Bem legal, experimental...
O engraçado foi que, pensando nessas misturas, o novo e o antigo, quando tirei o CD do som do carro a voz-do-Brasil dava uma notícia: "Colombo diz que as ilhas...". Desliguei. Imaginei Cristóvão Colombo chegando nas Américas dando sua notícia ao vivo via satélite. Filmaria as índias nuas e mais um juiz proibiria a exibição em horário nobre para que as crianças fossem poupadas...

-------------------------------
Vão ouvindo, vão ouvindo...
Será que assim como pra tocar blues ou moda de viola existe pacto com o Diabo pra fazer dissertação? Chirrin dissertação aparece, Chirrión o prazo vai embora (pra quem lembra do episódio do Chapolin, rsrs)...
Melhor ouvir do que ser surdo?
Inté!