Hoje eu acabei percebendo a cara que esse blog tem tomado. É um diário musical. Mas isso, no meu caso, era quase óbvio. Primeiro porque a música é uma parte integrante de mim, do que sou, e também porque a música diz muito do que sentimos. Ou você acha que "aquela música" faz sentido num dia e não faz no outro por acaso? A música está dentro de nós e coloca pra fora o que queremos esconder. É lindo quando ouvimos uma música e, de repente, ela faz um sentido que nunca havia feito, bate lá dentro, e você se pega batucando com o que pode e dá aquele pequeno sorriso de canto de boca (ou aquele suspiro profundo...).
Outro dia eu me peguei assim ouvindo uma música conhecida como "breganejo". E essa, não tenha dúvidas, era brega mesmo, não tava no limbo não. Mas fazer o quê? Se o amor (e ainda mais a dor de cotovelo) é brega, nada melhor que uma música, brega!
Voltando ao que eu dizia, percebi que muitos dos posts que aqui coloquei continham músicas, quando não eram SOMENTE músicas. Num primeiro momento não gostei disso. Queria textos! Pensamentos! Mas depois me convenci que a música fazia parte disso também. Nada melhor do qeu compartilhar com os outros uma música que você gostou, uma música que significou algo pra você naquele dia. E também, como disse alguns posts atrás, se esse é meu relicário escondido, é bom também, dias depois, ver como você estava naquele dia e se dar conta de que está tudo diferente.
Ultimamente, eu passo por uma fase "samba". Eu gosto demais, e tenho dado um jeito de ouvir os clássicos, os antigos, os "grandes arquitetos da música brasileira" como Ataulfo Alves e Nelson Cavaquinho. Mas foi uma música deste último que me bateu como um chute no peito (e olha que quando fiz capoeira tomei um chute desses no meu batizado e eu sei bem o que é!). "Luz Negra". A culpa é do meu primo-irmão Raphael. Foi ele que uma vez colocou uma frase dela no seu MSN e me interessou, só que ontem, em especial, ela me veio à cabeça e eu a procurei. Uma música linda, que acabou ficando mais conhecida pela voz de Cazuza, mas insuperável em sua versão original, com aquela voz de "vitrola antiga" (como costumo falar dos sambistas-velha-guarda).
Quero também registrar aqui mais uma coisa que descobri esses dias. Se me pergutarem qual foi o melhor CD de 2004 com certeza eu direi que foi "Eu me transformo em outras" da Zélia Duncan. ela gravou tanta coisa boa, tantos sambas, tantos choros, com arranjos fabulosos e aquela voz maravilhosa dela (que rouca combina mais ainda com esse estilo musical). É óbvio que para ser tão bom tinha que ser independente. Tem até uma música (que tocou bastante em rádio) do Luiz Tatit, "Capitu", muito boa também.
Nesse disco duas músicas em especial fizeram minha cabeça, mas eu não direi aqui, ainda pretendo usá-las num momento oportuno.
Deixo agora a música do Nelson Cavaquinho. Um abraço!
Luz Negra
(Nelson Cavaquinho - Amâncio Cardoso)
(Nelson Cavaquinho - Amâncio Cardoso)
Sempre só
eu vivo procurando alguém
que sofra como eu também
mas não consigo achar ninguém
Sempre só
e a vida vai seguindo assim
não tenho quem tem dó de mim
estou chegando ao fim
A luz negra de um destino cruel
ilumina o teatro sem cor
onde eu desempenho o papel
de palhaço do amor
(essa última estrofe é um disparo no coração e um disparar de coração.)
Link no rapidshare.de
Infelizmente só consegui a versão do Cazuza. Apesar de boa, prefiro a do próprio Nelson Cavaquinho.
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