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01 novembro, 2005

7: o número cabalístico de Veja



Já deixo claro: sou daqueles que têm a opinião de que se você leu na Veja, o azar é todo seu! Não me venha com argumento de autoridade porque, para mim, esse tablóide disfarçado não tem autoridade nenhuma. Na verdade, para ser sincero, ele tem autoridade às avessas, se está escrito lá é porque a verdade é o oposto!

Agora que estou de volta morando com minha família (e minha irmã insiste em assinar esse gibi!), por vezes eu tenho o desprazer de me deparar com um exemplar. Dessa vez algo me chamou a atenção: o número cabalístico de Veja.

Não sei se eles jogaram nos búzios, leram nas cartas, ou fizeram algum tipo de análise numerológica, mas uma verdade tem que ser dita: eles encontraram o número da segurança pública, o 7.

Primeiro foram 7 razões para dizer não ao referendo. Eu já fiquei impressionado! A Veja saiu de sua pseudo-dita-imparcialidade para assumir uma posição. Mas era óbvio que isso não iria provocar maiores discussões entre seus leitores. Afinal, seu público alvo era o mais passível de ser manipulado pela campanha do NÃO. Eles devem ter achado tão óbvio que essa era a "resposta correta" que nem se deram conta que uma revista que se diz neutra não poderia assumir posições.

Tem horas que a sabedoria popular realmente me surpreende. Dizem que 7 é o número do mentiroso e nesse caso, se é, a Veja quis mostrar a que veio. Na semana passada outra capa "7 soluções TESTADAS e APROVADAS contra o crime" (grifo nosso). Claro! Se eles já disseram que esse negócio de proibição do comércio de armas e munição não daria em nada, que isso não resolveria o problema da segurança pública, então eles em sua enorme bondade e sabedoria tinham que nos dar as soluções para isso. E elas viriam em número de 7!

Eu grifei o TESTADAS e APROVADAS porque não havia me dado conta disso até escrever aqui o título da capa. Testadas por quem? Aprovadas por quem? (E isso porque eu nem cheguei a dizer que soluções eram essas...). Confesso que só de olhar a capa e brincar com o número cabalístico já era suficiente para mim. Eu estava com medo de abrir a revista de ver as "tais" soluções, mas como eu resolvi escrever sobre isso decidi dar uma olhada.

A primeira: Meio senso comum. "Dar opções de lazer e profissão aos jovens pobres". De tão senso comum eu já teria lá minhas dúvidas. Claro que serei um pouco forçado no que vou falar, mas serve de "advocacia do diabo". Será que o problema é só falta de lazer e trabalho? Será que um adolescente que vê todas as propagandas diretas e indiretas de todos os produtos modernos e caros e também sente desejo de consumi-los, tendo a possibilidade de ganhar bastante dinheiro com a criminalidade, se contentará em ganhar 300 reais para trabalhar 8 ou mais horas do seu dia? Será que só isso é uma solução "testada" e "aprovada". Mas, como disse, forçei um pouco. Passemos para a próxima.

A segunda: "Prender o crimonoso e deixá-lo preso". Para isso eu invoco a frase de Raduan Nassar e digo que na minha descrença te devolvo a existência só para dizer "DEUS QUE ME DEFENDA!". Acho que eu nem preciso continuar com as outras cinco porque, como disse, a Veja mostrou a que veio. É um pouco de conservadorismo demais achar que a solução para todos os problemas é deixar os "bandidos" (conceito resgatado pela campanha do NÃO para representar todo o mal, os malfeitores, o "dark side", mas que não trata da história de vida da PESSOA que comete algum crime, a sua motivação, o que está por detrás, etc) trancafiados por toda a vida para reduzir a criminalidade. A Veja chega a dar a entender que trinta anos na cadeia é pouco. É pouco imaginar que uma pessoa de 20 anos sairá de lá com 50 e que nada fará diferença. Confesso que hoje estou meio preguiçoso para argumentar, mas de tudo que vi e ouvi sobre as penas, a única certeza que há é que tudo, menos a reclusão, funciona para reduzir a reincidência. Mas será que essa não é só mais uma mensagem subliminar para os novos e desejados referendos? A favor da prisão perpétua, etc... Vamos ver o que o futuro nos reserva...

Se eles tivessem colocado essa grande idéia por último, eu juro que teria lido as outras com mais paciência, mas é a jogada deles: quem não gosta da revista para de ler logo e não tem muita voz para falar, e para os "intelectuais de Veja", a ilustrada classe média do Brasil, isso ainda serve de motivo para continuar lendo.

As outras testadas e aprovadas soluções são argumentos mais fajutos impossíveis. "Aumentar a eficiência da justiça", "Combater o consumo de drogas", "Acabar com a corrupção policial". Ora, acho que até meus cachorros sabem disso, agora, como fazê-lo? Que soluções você tem? Como aumentar a eficiência da justiça, como acabar com a corrupção? Talvez com a permissão do comércio de armas e munições... Imagino um dia chegando no Tribunal, colocando o "tresoitão" na cara do juiz e dizendo "Ô seu velhote, se não for eficiente eu te mato!!!"

São as soluções "Veja" para a segurança pública...

Vamos ver mais o que teremos em número de 7...

4 comentários:

Anônimo disse...

NEM O ZAGALO, QUE É SUPERSTICIOSO COM NÚMEROS, TERIA REPARADO A "COINCIDÊNCIA" EM TORNO DO NÚMERO 7. PARABÉNS!

Anônimo disse...

Cara estas reportagens da veja estão parecendo redação de vestibulando, com todas estas soluções tão "sábias" e inéditas para um tema tão antigo...será que este será um dos temas do vestibular de 2006? Se for dica "inteligente" que qq professor de cursinho sempre repete: Leia "Veja"...hahahahaha. Até porque com o nivel intelectual destas soluções é só vc decorar a reportagem e dissertar no seu caderninho do vestibular, eles nem vão perceber! Bjos

Anônimo disse...

Humbertinho... vc é demais! A-do-rei!!!!!

Essa dos numeros cabalísticos foi sensacional!

Minha mãe tá aqui dizendo que vc tem que mandar para um jornal pq esse texto tá muito bom!

Essa das 7 soluções testadas e aprovadas... só rindo mesmo! A veja parece a quase as vezes vive fazendo piada da nossa cara!

amei! vou acompanhar sempre agora e fazer propaganda!
:*
beijinhus

Anônimo disse...

ps.: retire o as vezes!!!