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14 fevereiro, 2006

A lucidez perigosa

Esse é um poema que a minha grande pequena amiga Lalá me deu. Gostei demais! E por isso vou colocá-lo aqui para todos lerem e para todos saberem o quanto eu adorei.

Beijos Lalá!


A lucidez perigosa
Clarice Lispector

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.

Pois sei que - em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

3 comentários:

Jaromir Blagr disse...

hoy

Anônimo disse...

=]
Bertin.....
adorei!
beijos e te amo!!

Anônimo disse...

Isto é um desafio? Esta parecendo pois vc esta com textos cada vez mais dificeis de comentar...quer dizer, pelo menos pra mim, comentadora "oficial" (titulo nomeado por mim mesma) deste Blog! Não sei se estão mais complexos ou mais lucidos...ah..sei lá...bjinhos!